quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sobre as ondas evangélicas e pastorais

via Bereianos | Apologética Cristã Evangélica de Ruy B. Marinho

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Por: Rogério Nascimento

O que temos hoje é um crescimento do evangélico pragmático, aquele ramo evangelical que prega o evangelho utilitarista. Cresce o numero de evangélico, mas cada vez mais piora a sociedade.


Não existe um escândalo brasileiro onde não esteja um punhado de pastores envolvidos.


Depois do evangelho da prosperidade, todos os pregadores queriam ser igual aos americanos, os mesmos gestos, o mesmo tipo de roupa, a mesma arrogância, as mesmas decalrações, os mesmos chavões (sou filho do Rei, eu declaro, eu tomo posse). Em seguida veio o evangelho da cura interior, onde a pregação não era mais suficiente para curar a alma das pessoas, o novo nascimento não era suficiente para transformar e a cruz de Cristo ineficaz para cancelar os pecados, era preciso uma série de rituais com renuncias e renegações para que a pobre criatura convertida alcançasse a libertação de seu passado. Depois veio a batalha espiritual, onde se ensinava a absurda teologia da legalidade dada ao diabo para dominar a terra. O diabo era o senhor da terra e Deus tinha que pedir permissão para agir na terra. A saída era os crentes tirar os calçados, fazer declarações de domínio, etc. Depois veio o evangelho dos neo-apóstolos.


Qualquer pastor que não estivesse contente com o "status" de pastor, poderia se auto-denominar apóstolo e esta onda se espalhou até perder a graça. Depois surgiu o evangelho dos proféticos, onde tudo era profético (louvor profético, igreja profética, dança profética, marcha profética, corte de cabelos profético, até "urinada" profética teve (e tem). Agora segundo a revista Veja, temos o evangelho da auto-ajuda, onde o sobrenatural é "motivar" as pessoas. A Bíblia em uma mão, Lair Ribeiro, Augusto Cury , James Hunter ou Shinyashinki na outra e com certeza, depois da reportagem, muitos pregadores correrão para os cursos de psicologia de auto-ajuda, comprarão livros de motivação pessoal e irão para frente de seus espelhos treinar novos gestos. Neste meio tempo o povo padece, enquanto os livros de exegeses, comentários bíblicos e boa teologia apodrecem. O trabalho demorado na análise de um texto bíblico é coisa do passado, agora temos todas as Bíblias comentadas, banalmente comentadas e o povo banalmente se assenta nos bancos das igrejas, mendigando uma pregação bíblica.


Foi-se a autenticidade e a originalidade, viva a medíocre mania de imitar e importar a última onda a surgir. Sim, porque até a próxima, adota-se a atual.


Só resta gritar, o grito dos moradores de Jerusalém, Hosanas – Salva-nos Senhor!!!!


Autor: Rogério Nascimento
Via: [ Apologetica crista ]
Via: [ Web Evangelista ]

domingo, 10 de janeiro de 2010

Não toqueis no ungido do Senhor: desmascarando essa falsa doutrina

 

Por Vera Siqueira

"Não toqueis no ungido do Senhor". Essa é a resposta de nove entre dez crentes que crêem em tudo o que lhe pregam sem serem bereianos, quando confrontados com críticas ou acusações contra pastores, apóstolos (?) e demais líderes eclesiásticos. Não importa se as provas do crime são claras, para esses crentes não nos cabe julgar nem analisar o que a liderança da igreja faz de errado: cabe aos crentes, segundo essa falsa doutrina, agir como Davi em relação à Saul: simplesmente não fazer nada, e esperar que Deus resolva o negócio e faça a justiça. E enquanto nada se faz, esses líderes criminosos continuam roubando, matando e destruindo o rebanho de crentes em suas mãos, e trazendo escândalo para o Evangelho, afastando de vez os não-crentes do afã de conhecerem a Verdade de Cristo.
Mas enfim, Davi realmente disse em várias passagens de 1 Samuel que não se deve tocar no ungido do Senhor. E aí?
Em primeiro lugar, temos que deixar bem claro sobre qual ungido Davi se referia. Ele se referia a Saul, atual rei de Israel, porém já destronado por Deus, que havia ungido Davi em seu lugar. Portanto, a primeira coisa que temos que ter em mente é que não se tratava de qualquer ungido, mas de Saul.
Em segundo lugar, temos que entender essa unção que Saul recebeu. Em 1 Samuel 8, lemos que o povo queria um rei no lugar dos antigos juízes que governavam Israel. Deus não tinha esse desejo, pois o querer um rei era um desejo do povo de que Deus já não reinasse mais sobre eles. Porém Deus resolveu satisfazer Israel, e escolheu Saul como rei.


Em 1 Samuel 10, lemos o profeta Samuel indo ungir Saul como rei:


"Então tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e beijou-o, e disse: Porventura não te ungiu o SENHOR por capitão sobre a sua herança? Apartando-te hoje de mim, acharás dois homens junto ao sepulcro de Raquel, no termo de Benjamim, em Zelza, os quais te dirão: Acharam-se as jumentas que foste buscar, e eis que já o teu pai deixou o negócio das jumentas, e anda aflito por causa de vós, dizendo: Que farei eu por meu filho? E quando dali passares mais adiante, e chegares ao carvalho de Tabor, ali te encontrarão três homens, que vão subindo a Deus a Betel; um levando três cabritos, o outro três bolos de pão e o outro um odre de vinho. E te perguntarão como estás, e te darão dois pães, que tomarás das suas mãos. Então chegarás ao outeiro de Deus, onde está a guarnição dos filisteus; e há de ser que, entrando ali na cidade, encontrarás um grupo de profetas que descem do alto, e trazem diante de si saltérios, e tambores, e flautas, e harpas; e eles estarão profetizando. E o Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-te-ás um outro homem. E há de ser que, quando estes sinais te vierem, faze o que achar a tua mão, porque Deus é contigo. Tu, porém, descerás antes de mim a Gilgal, e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocaustos, e para oferecer ofertas pacíficas; ali sete dias esperarás, até que eu venha a ti, e te declare o que hás de fazer. Sucedeu, pois, que, virando ele as costas para partir de Samuel, Deus lhe mudou o coração em outro; e todos aqueles sinais aconteceram naquele mesmo dia."

1 Samuel 10.1-9

E Saul ficou cheio do Espírito Santo, e em 1 Samuel 11.15, finalmente Saul é proclamado rei. Porém a unção que Saul recebeu era apenas para reinar, não para ser sacerdote ou líder espiritual do povo. Essa função era para algumas pessoas específicas, como o profeta Samuel. Não cabia a Saul as funções sacerdotais, sendo esse um dos pecados que o fez perder o reinado em Israel:

"E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel, trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à beira do mar; e subiram, e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Aven. Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em apuros (porque o povo estava angustiado), o povo se escondeu pelas cavernas, e pelos espinhais, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas. E alguns dos hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade; e, estando Saul ainda em Gilgal, todo o povo ia atrás dele tremendo. E esperou Saul sete dias, até ao tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se dispersava dele. Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. E sucedeu que, acabando ele de oferecer o holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para o saudar. Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do SENHOR não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto. Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o SENHOR teu Deus te ordenou; porque agora o SENHOR teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o SENHOR, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou."

1 Samuel 13.5-14

O outro pecado de Saul ocorreu em 1 Samuel 15, quando desobedeceu à ordem do Senhor ao não destruir o melhor do rebanho dos amalequitas, com a desculpa de que usaria o rebanho como sacrifício, onde Samuel disse que é melhor obedecer do que sacrificar.
Assim, em 1 Samel 16 lemos o Espírito do Senhor deixando Saul e passando a habitar Davi, o novo rei ungido:

"Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os moços? E disse: Ainda falta o menor, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, porquanto não nos assentaremos até que ele venha aqui. Então mandou chamá-lo e fê-lo entrar (e era ruivo e formoso de semblante e de boa presença); e disse o SENHOR: Levanta-te, e unge-o, porque é este mesmo. Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá. E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR."

1 Samuel 16.11-14

Ou seja, Saul deixou de ter o Espírito Santo, mas continuou sendo rei de Israel por vários anos. Nesses anos, o Espírito Santo estava com o novo ungido, Davi, que porém ainda não havia sido reconhecido rei pelo povo. Dessa forma, Davi servia ao rei Saul e foi perseguido por seus exércitos, e aí chegamos à passagem que abriu esse artigo, quando Davi teve real chance de aniquilar Saul, mas não o fez por considerá-lo ungido do Senhor.
Realmente, o que impediu Davi de se levantar contra Saul não foi o poder do Espírito Santo no antigo rei, pois este já o tinha deixado e Saul não passava de um endemoniado. Porém, mesmo endemoniado, Saul continuava sendo rei, e em razão desse título que Davi o poupou. Uma vez ungido rei, sempre rei. Deus tirou Saul do reinado, porém isso só se concretizou com sua morte, não havendo rebelião para que isso acontecesse e Davi tomasse o poder em seu lugar. A unção de rei permaneceu com Saul por toda a sua vida, mas o Espírito de Deus não.
Entendido tudo isso, vamos agora analisar a doutrina do "não toqueis no ungido" nos dias de hoje. Por que ela não é válida?
Como visto, a unção a qual Davi se referia dizia respeito ao direito de reinar sobre Israel, não sobre possuir funções eclesiásticas. As funções de governo do Estado e eclesiásticas eram bem divididas naquele tempo, embora Israel fosse um Estado teocrático. Portanto, a não ser que algum líder de igreja seja também rei nomeado por Deus (olha eu dando idéia para novos títulos, que Deus me perdoe) em sua localidade, nenhum líder religioso atual se enquadra nesse quesito.
Sobre como devemos agir em relação ao líderes religiosos e qualquer cristão, a Bíblia é bastante clara:


"E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim."

Atos 17.10-11

"Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo."

1 Coríntios 5.9-13

Chega desse engano do "não toqueis no ungido do Senhor", engano esse que tem transformado a igreja em covil de salteadores. O rebanho tem que aprender a buscar na Palavra se o que seus líderes pregam é verdade ou não, tem que aprender a raciocionar, a analisar, a meditar dia e noite na Palavra, mas é isso mesmo que os lobos em pele de cordeiro não querem que aconteça, e por isso acorrentam suas ovelhas em falsas doutrinas que visam cegar e conformar o rebanho à sua própria vontade, não à de Deus. Deus nos enviou Cristo para que fôssemos libertos, mas onde há liberdade se nem ao menos podemos criticar um líder eclesiástico por seus falsos ensinos ou sua má conduta, com a desculpa que de o fulano é "ungido"? O Apóstolo (de verdade) Paulo era bem ungido, disso não há dúvidas, mas nem por isso ficou chateado ao ser confrontado pelo povo de Beréia em seus ensinamentos. Por que os apóstolos (?) e líderes dos dias de hoje ficam melindrados, e até amedrontam suas ovelhas com a promessa de inferno para o "pecado de rebeldia" que seria se levantar contra um "ungido" do Senhor? E por que as ovelhas, que também têm unção (já que recebem o Espírito Santo desde sua conversão), ao contrário dos líderes religiosos, podem e são fortemente exortadas (se seu dízimo for baixo, claro) quando encontradas em erro?
Isso é estelionato gospel, e dos bons. Graças à essa mentira (a própósito, quem é o pai da mentira mesmo?) vemos igrejas destruídas por pertencerem (a palavra é essa mesma) a líderes criminosos, que adulteram as Escrituras a seu bel-prazer e agem como se a justiça de Deus e dos homens não valesse para eles. Enquanto isso, às ovelhas cabe apenas se conformar, "Deus quer assim", "quem faz a justiça é Ele", "só nos cabe orar".
Povo de Deus, vamos abrir os olhos! Temos que orar, a justiça é de Deus, mas Ele usa homens e mulheres para que Sua justiça seja feita nessa terra! Se Lutero pensasse assim, ainda hoje estaríamos comprando indulgências (se bem que essa prática perniciosa continua ocorrendo nos dias de hoje, na forma de lenços suados, rosa ungida, sabonete ungido, etc). Como povo de Deus, temos que ser carvalhos de justiça principalmente em nosso meio, tirando os lobos que querem devorar nossas ovelhas! Se não o fizermos, não sobrará ovelha nenhuma no final da história, pois todas serão enganadas...
O "não toqueis no ungido do Senhor" é uma desculpa muito da mal feita para líderes que têm algo a esconder. Quando um líder pregar isso para você, fique ainda mais atento, pois quem está na luz não tem medo de ser julgado, afinal nada se encontrará que o desabone; ao contrário, quem está em trevas não quer que o candeeiro seja colocado em cima da mesa e ilumine o ambiente, pois isso trará à luz toda a podridão escondida em nome de Deus.

***

Vera Siqueira é procurada pelos Leões-de-Chácara religiosos por liderar um protesto cristão organizado na Marcha para Jesus. A tal Marcha para Jesus é um dos muitos eventos protestantes onde é proibido protestar. Ela também coopera enviando textos subversivos para o Púlpito Cristão de onde foi extraído esse texto.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A glória das igrejas e a glória de Deus .

 

 

Por: Diogo Henrique de Sá

“Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem.” (Isaías 48.11).


Há alguns anos atrás, durante uma reunião de domingo, na igreja onde eu congregava, escutei de um Seminarista a seguinte frase: “Eu sou membro da gloriosa Assembléia de Deus!”, naquela época eu era muito jovem para pensar nas implicações desta frase. Alguns dias atrás, no entanto, ouvi de um amigo, bem mais velho e que também estava naquela reunião, a mesma frase.
Estranhamente estes verdadeiros chavões, que visam supervalorizar algumas denominações e seus líderes, brotam dos lábios ingênuos da maioria dos cristãos sem o menor intendimento.
Passei a refletir mais sobre essa e outras frases, deste tipo, que permeiam o “evangeliquês” (dialeto, quase incompreensivo, pronunciado por membros de denominações ditas evangélicas) Já ouvi de tudo (1):

- “Sou Pentecostal até o tutano!”
- “Aqueles Batistas desviados!”
- “Aqueles Tradicionais Geladões!”
- “R.R. Soares, o Homem que abençoa o mundo!”
- “Nossa Igreja é mais abençoada, pois temos um Apóstolo!”
- “Eu sou a Voz profética de Deus no Brasil” (Silas Malafaia falando de si mesmo).


Analisando essas frases podemos perceber que existe algo de muito errado acontecendo dentro das denominações (não estou usando o termo igreja propositalmente), ao que tudo indica a Igreja que saiu da Reforma perdeu, tanto quanto a sua antecessora (Igreja Católica Romana), o foco de quem é o Senhor.
Isso é compreensível já que os “crentes” não se interessam muito pela Bíblia (Inclusive isto é constatado através de pesquisas). Na verdade só lemos pequenos trechos fora do contexto várias vezes, e normalmente quando faz parte da leitura oficial da “Campanha”, sei que esta é uma Verdade Inconveniente (uma vez disse a uma pessoa “evangélica” que ela deveria ler a Bíblia, meu Deus, foi pior que xingar a mãe, vi a fisionomia da pessoa mudar de ódio), porém isso já foi percebido inclusive pelas seitas, os Testemunhas de Jeová falam sobre nossa inadequação com relação a Palavra de Deus.
Mas voltando a falar sobre: Quem é o Senhor? Existe uma dupla consideração que precisamos fazer sobre esse tema:

1ª) Nós não sabemos quase nada sobre Jesus – Fiquei chocado um dia quando, ensinando na Escola Bíblica, disse que Jesus existe antes mesmo da fundação do mundo e uma das irmãs, muito piedosa, me perguntou como isso era possível se Jesus nasceu da Maria? Eu expliquei sobre a Eternidade de Jesus e sobre a sua primeira vinda e a irmã ficou maravilhada, em vários anos de “convertida” nunca alguém havia ensinado isso a ela. Isso revela algo que talvez nunca tenha te ocorrido: não conhecemos Jesus de verdade.
2ª) Apesar de dizermos que Jesus é o Senhor, nos comportamos como se nós fossemos o senhor de Jesus – Podemos perceber essa conduta nos templos, através dos mensageiros da prosperidade que nos encorajam a encurralar Jesus na parede e exigirmos a restituição de tudo aquilo que perdemos. Dentre outras coisas. Jesus virou uma espécie de Gênio da lâmpada que surge convenientemente quando chamamos por ele.


Mas quero me concentrar em outro ponto: Nós cristãos temos tirado o foco de Jesus para focalizar em tudo o que é humano. Temos levantado a “bandeira” de nossa denominação como se a Cruz fosse, já não podemos, como Moisés, dizer “Jeová Nissi” pois a nossa bandeira tem sido a placa de nossa denominação e o nome do nosso proeminente líder.


Com relação a frase que ouvi do seminarista veja o disparate e pense comigo: gloriosa é a Assembléia de Deus ou o Deus da assembléia?


Se Deus, conforme o texto Bíblico, não divide sua glória com ninguém como podemos dar a glória dele a outra coisa. Como podemos dividir uma glória que nem nossa é? Como pudemos ser insensíveis ao ponto de não enxergarmos os limites entre o santo e o profano? Passamos a seguir a placa da denominação e nos esquecemos de quem realmente importa que é Deus. Engraçado que a pessoa que faz isso nunca irá admitir que esteja deixando Deus de lado, porém, embora não admita, termina por fazê-lo na prática e é a pratica que demonstra o que somos de verdade, Tiago já falava isso a 2 mil anos atrás. Isso fica muito evidente quando se presta atenção nas placas das denominações, isso porque seu título vai em letras garrafais, e o nome de Jesus quando aparece está com letras menores (Salvo quando o nome de Jesus é usado no título da denominação), veja, está muito clara a ordem das coisas: 1ª a denominação, depois, se der, Jesus entra na parada (isso porque as vezes para economizar espaço na placa tiramos o Seu nome dela).


Eu não sou adepto das idéias de Witness Lee, mas estou convencido que uma das piores invencionices dos Protestantes foi criar o denominacionalismo, sei que o nome facilita por questões de registro e também para demonstrar o tipo de confissão daquele grupo, porém resultou em um “nacionalismo da denominação” que chega as vezes ser parecido com o comportamento entre Judeus e Samaritanos mencionados na Bíblia: nós não nos comunicamos (membros de diferentes denominações as vezes nem se falam), atingindo ao ponto do corpo de Cristo ser mutilado e cada pedacinho tem a sua própria cabeça, que é o “Cristo a gosto do cliente”. Gosto muito de uma frase do Paulo Romero que diz: "Quem crer no Jesus errado, embarca em uma salvação errada, e pode desembarcar no céu errado".


Conheci um Pastor que Batia no peito e dizia: “sou belemita da orelha furada”, em clara menção sobre a lei vetero-testamentária que dizia que um escravo que, por amar seu senhor, quisesse ficar com ele deveria ter sua orelha furada em sinal de escravidão perpétua, veja o disparate deste pastor. O que ele está dizendo vai contra tudo o que a Bíblia ensina, pois deveríamos ser “cristãos de orelhas furadas” pois é a Ele que deveríamos servir e não a uma denominação.


Quero também corrigir um erro crasso que cometemos a Ekklesia (2) – e é por isso que uso o termo denominação em lugar do termo igreja – era uma instituição Ateniense formada pelos cidadãos, eram os “chamados para Fora”, Jesus se apropriou deste nome para a sua Ekklésia formada pela assembléia de seu novo povo, assim como os atenienses, nós também fomos chamados para fora, nós somos a Igreja de Cristo. Nós criamos o conceito de “Igreja visível” e “Igreja invisível”, porém este conceito é defeituoso a Bíblia nunca autenticou esta nossa visão o exemplo disso está em Rom. 16.5 onde Paulo saúda a Igreja que se reúne na casa de Áquila, ele não diz a “igreja de Áquila”, ele diz à “igreja que se reúne em sua casa”. A Igreja segundo Paulo eram as pessoas. Nós os que tivemos um encontro real e verdadeiro com Jesus Cristo, que fomos atraídos pelo seu irresistível amor, somos a Igreja.


Não podemos nos esquecer da supervalorização do homem, do líder. Quando estudei Apologética pelo Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), aprendi a reconhecer as seitas através das quatro operações matemáticas (3). Recordo ainda de cor sobre a divisão: “Dividem a fidelidade entre Deus e a organização. Desobedecer à organização ou à igreja equivale a desobedecer a Deus. Não existe salvação fora do seu sistema religioso.”


Que coisa mais interessante isso vem acontecendo em quase todas as denominações Evangélicas, principalmente as neo-pentecostais criamos uma supervalorização do líder, como se ele fosse o próprio Deus na terra. Eu sempre pensei que Jesus era o abençoador do mundo, mas descobri que ele perdeu o reinado para o R.R.Soares, o Edir Macedo tem seus clones espalhados por todo o país (fiquei pasmo ao ver como conseguem imitar o timbre de voz), Marco Feliciano não fica pra traz, tá cheio de gente imitando o cara, o pessoal do Valdomiro faz fila pra pegar o lencinho com o seu suor “sacro-santo” (ah esse me dá nojo), Ezequiel Pires tem a visão de raio X, Silas Malafaia é o auto proclamado “Profeta de Deus”, pensei que o ultimo profeta foi João Batista (ah já sei talvez Jesus tenha mentido né???).

Agora pare um segundo - pense pelo amor de Deus, quem são esses homens? Não são ninguém! João disse:” Importa que Ele cresça e eu diminua”, mas esses e outros homens estão dizendo: importa que eu cresça e Ele que se vire.

O Prof. Leandro Villela (4) disse em um dos seus vídeos que as pessoas lhe enviam mensagens dizendo que não admitem que ele fale mal de um ou outro pastor, mas estranhamente não vê estas pessoas entrando em sites ateus e dizendo que não admitem que ninguém fale mal de Jesus, é inegável, há algo de muito errado acontecendo em nossa vida, Jesus não é mais o centro.

Fora as orações fortes que aparecem por aí e que muita gente vai atrás, isso nos leva a outra discussão quem é forte? A oração? Ou o Deus a quem a oração é dirigida? Não existe oração forte, Deus ouve a oração de uma pessoa tão bem quanto ouve de 318. Ninguém pode obrigar Deus a fazer coisa alguma, veja o Ele diz sobre isso: “terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” Ex.33.19. Ele responde a oração porque quer, porque nos ama, porém só faz quando quer. Nós não somos merecedores de nada, e Ele não tem nenhuma obrigação para conosco em relação a isso, já que nunca prometeu um mar de rosas, muito pelo contrario Jesus nos avisou: “No mundo tereis aflições, tenham bom ânimo...”.

Na verdade quem tem Glória é Deus, o Poder é Dele (Sl 62:11 “Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus”) tudo vem Dele estamos errados ao dividi-la com qualquer outro ser ou denominação, a Ele sempre o mais perfeito louvor. A Glória da Igreja é Cristo. Deus nunca dividiu sua glória com ninguém. As denominações e os líderes inescrupulosos devem se arrepender o quanto antes, ou sua parte será com os hipócritas onde há pranto e ranger dos dentes. Quantas vezes esses líderes dizem servir a Jesus e acabam por servir-se Dele com o pretexto de O glorificarem quando na verdade querem a Glória para sí, usando-O para se auto-promoverem como “Homens de Deus”, em mais um deslize para o Antigo Testamento, já que Paulo, Pedro, Tiago, João, Timóteo, e os outros nunca usurparam esse título para si, antes se auto proclamavam escravos de Cristo, cujo único interesse era promover, glorificar e honrar Aquele que tudo é.

Nós não temos a glória e nós não temos a honra, pois ela também é Dele.

A ELE A HONRA E GLÓRIA E O DOMÍNIO PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS!
NOTAS:
1 - Não vou colocar todas, pois não tenho todo o tempo do mundo, mas se você fala alguma e eu não postei não se sinta discriminado.
2 - Nossa palavra Igreja deriva etimologicamente da Palavra Grega Ekklesia.
3 - Para uma maior orientação sobre esse tema Acesse www.icp.com.br.
4 - http://www.youtube.com/user/inconformadostv#g/a
Por: Diogo Henrique de Sá
Contatos: diogo_hs@ig.com.br

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Em que e com quem estamos unindo? Pode haver união de trevas com luz?

Por Ilton Gonçalves

Há por aí uma nova onda, um ajuntamento que me parece estranho, dizendo que “juntos somos melhores”. O romanismo chama isso de ecumenismo, e eu pergunto: Juntos em torno de quê? Juntos em torno de quem? Juntos para fazer o quê?

Quero deixar claro que não me misturo.

O Evangelho não se mistura, cristianismo e mundanismo são como água e óleo.
Juntos somos melhores? Juntos com esse “evangelho” bíblicamente mesquinho?

Foram juntos que o povo rejeitou a Noé, foram juntos que começaram a construir Babel, foram juntos que venderam José, construíram o bezerro de ouro e que gritaram soltem Barrabás...

Me lembro de um a mistura registrada em Números 11:4 “E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer?”

Esse populacho está aí, pedindo para se juntarem a nós ou que nos juntemos a eles, com um evangelho anunciado por anjos, arcanjos, querubins, apóstolos(as), bispos(as), pastores(as), profetas/cantores. Eu? Não me misturo.

Quem não se lembra do amigo do Chaves? Sim, o Kiko? “Gentalha, gentalha, gentalha!”. O Evangelho é exclusivo, Cristo é ímpar, a Bíblia é a Palavra de Deus.

Juntos somos melhores? Está bem. Pode até ser... mas em torno de quê?

Juntos para um “louvorzão” onde o barulho é ensurdecedor e quando se identifica alguma coisa é: “Tira o pé do chãããoooo”, luzes de todas as cores e apóstolos para todo o lado gritando: “Eu profetizo, profetiza também....”, “hoje é o dia da restituição”... Juntos? Eu?

Juntos para um reteté, aliás a moda agora é o “pregador/profeta” sai no meio do povo colocando a mão em todas as pessoas e fazendo um som pra lá de estranho com a boca ( shiiiiiii, rrrrroooo, hiiiiiiii), juntos? Eu?

Junto com quem não acredita no Arrebatamento da Igreja, não crê que a Bíblia é a suficiente Palavra de Deus, e não tolera uma pregação genuinamente bíblica? Junto com aqueles que vivem a poder de descarrego, pisando o sal grosso e a Palavra também? Junto com essa gentalha que está sempre atrás de uma nova unção?

Não! Mil vezes NÃO.

Jesus amou, mas não se misturou nem abriu mão de sua missão; seus ensinos são inegociáveis. "Somos uma comunidade de poucos que não rezam pela cartilha do fanatismo moderno. Os iguais se atraem" (Pr Serafim Isidoro)

Termino aqui deixando algumas pérolas que tenho guardado em um caderninho antigo, já que alguns versículos bíblicos afastariam alguns leitores adeptos desse ecumenismo gospel:

“Nunca confie cegamente pois os vigaristas sobrevivem graças aos tolos”.
“O grito é a manifestação cabal de quem não tem argumento”.
“O barco foi feito para estar sobre a água, mas a água não deve entrar no barco”
“Muitos que freqüentam nosso templos não são seguidores de Cristo, mas fregueses; quando abrem uma nova porta vendendo a preços mais baixos, correm para lá”.
“Quanto mais a verdade se misturar com o erro, mais atraente e perigosa é para suas vítimas”.
“Quem não raciocina é um fanático; quem não pode raciocinar é um escravo; quem não se atreve a raciocinar é um tolo”.


Populacho, não contem comigo! O joio é semeado entre o trigo, mas é joio. Reconheço que existem muitos que se juntam para destruição da Palavra, mas também sei que ainda há "7 mil" dos que não se dobraram, nem se dobram a essa onda de "juntos somos melhores".

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Integridade Moral do Profeta Eliseu

Pr. Airton Evangelista da Costa
JesusSite

“Mas os que querem ficar ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Tm 6.9-10).


Um homem íntegro. Integridade moral, de caráter, de fé. Ao saber que poderia pedir o que quisesse a Elias, quis apenas “uma porção dobrada do espírito” do profeta. (2 Reis 2.9). Essa unção valeria muito mais do que mil barras de ouro.


A sua retidão de caráter se revelou de forma cristalina quando recusou uma “bênção” de Naamã. O poderoso chefe do rei da Síria iniciou viagem com “dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas” (5.5). Uma fortuna equivalente a mais ou menos trezentos e quarenta quilos de prata e setenta e cinco quilos de ouro, afora as roupas. As portas estariam abertas para ele e seria recebido com honras.


Habituado às reverências e aplausos na casa real, ficou decepcionado com a recepção que lhe dera Eliseu. Pensou que o profeta estaria perfilado, ele e seu moço, à porta de sua casa para saudá-lo. Não se pode negar que, fosse nos dias atuais, Naamã ficaria mui alegre. Teria imediato assento ao lado do celebrante, no púlpito, e seria o primeiro a dar seu testemunho antes e depois da cura.


Por isso, Naamã muito se indignou:


“Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso” (5.11).


Há muitos apressadinhos que desejam uma solução rápida para seus problemas. Uma palavra mágica, uma oração urgente, um amuleto em que possam tocar e ficarem sarados. E ricos, muito ricos.


Deus não deseja curar apenas nossos males físicos. Muitas vezes, Ele nos faz caminhar pelo vale da sombra da morte, por caminhos que se nos parecem difíceis, portas e caminhos estreitos para quebrar nossa soberba. Não há vitória sem luta, como não há salvação sem arrependimento.
Naamã, que tinha um exército sob suas ordens, jamais imaginou que fosse obrigado, pelas circunstâncias, a submeter-se a um humilde homem. O profeta não se deu ao trabalho de falar pessoalmente com o poderoso chefão. Mandou um mensageiro:


“Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado” (5.10).


Naamã recebeu o recado como um insulto, uma afronta. Não aceitaria tal ultraje. Ele era o chefe do exército do rei, do rei da Síria. Merecia tratamento honroso. Mas resolveu ouvir o conselho de seus servos; olhou para a lepra que avançava; de que adianta ser um general de guerra e ser leproso? Será que esse tal de Eliseu não sabe que eu sou um homem rico?


A lepra do pecado é muito mais danosa. Eliseu poderia curar Naamã com poucas palavras, mas o leproso voltaria com a mesma soberba. Banhar-se no Jordão sete vezes seria equivalente a descer à casa do oleiro, a assimilar o princípio da obediência. Se Naamã tomasse seis banhos e não sete, não ficaria curado. Deus requer submissão total; entrega total; confiança total.


Após a cura, outra decepção. Instado a receber muitos quilos de ouro e prata como retribuição pelo benefício divino, o profeta simplesmente recusou. É possível que nem tenha conhecido o montante da “bênção”.


Naamã não sabia que existia esse tipo de homem. Pensava que todas as consciências poderiam ser compradas e todo o tipo de fortaleza moral poderia ser vencido com ouro e prata. Diante do que temos visto, o que os leitores acham que aconteceria hoje? Com certeza, receberia Naamã uma oração especial de meia hora; seria apresentado às ovelhas como o irmão Naamã, o maior benfeitor do ministério; seu nome seria colocado numa placa de ouro, em homenagem ao “grande homem de Deus”; seria convidado a ser dizimista da igreja.


Naamã encontrou no profeta uma fortaleza moral inexpugnável. Eliseu recebeu a unção de graça; de graça recebeu o dom da fé, os dons espirituais, a capacitação e a salvação. Receber uma oferta logo após uma cura seria mercadejar os dons recebidos.


O profeta era homem justo e temente a Deus. Sua resposta a Naamã foi uma ducha de água fria:


“Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não a aceitarei” (5.16). Faço questão de repetir: “EM CUJA PRESENÇA ESTOU”. Eliseu tinha plena convicção de que Deus estava naquele lugar. Da mesma forma Deus está presente nas falcatruas dos “profetas de Deus” de hoje. A diferença é que Eliseu era íntegro.


Geazi, o moço de Eliseu, não tinha o mesmo pensamento e a mesma integridade. Por isso, recebeu o duro castigo de ficar leproso: “Portanto a lepra de Naamã se apegará a ti e à tua descendência para sempre” (5.27).


Alguns há que não sabem manipular grandes quantias em dinheiro sem se contaminarem. Os geazitas de hoje estão leprosos. São “profetas” a “apóstolos” leprosos. Deveriam se espelhar na integridade moral de Eliseu para servirem de exemplo para o rebanho. Deveriam ter vida “irrepreensível”. Porém, fazem moucos seus ouvidos à advertência do apóstolo:


“Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas e segue a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão” (1 Tm 6.11).

PRECISO FREQUENTAR UMA IGREJA?

 

A salvação é individual. É verdade! Paulo disse que “cada um” será julgado “perante o tribunal de Cristo” (2 Coríntios 5:10). Não seremos julgados coletivamente como igrejas.
A igreja não salva ninguém. Isso, também, é verdade! É pelo sangue de Jesus que recebemos “a remissão dos pecados” (Efésios 1:6-7). “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé” (Efésios 2:8). A igreja não morreu por nós, e não é capaz de nos salvar.

Algumas pessoas, compreendendo estes fatos, chegam à conclusão que a vida cristã não tenha nada a ver com a igreja. Pode freqüentar uma se quiser, mas também pode usar o tempo igualmente bem recebendo amigos em casa, passeando no shopping ou indo pescar. Pode comunicar com Deus em qualquer lugar, então quem precisa de igrejas?

Antes de descartar ou desprezar a igreja na sua vida, não seria importante ver o que Deus diz a respeito dela?

 

    A igreja (grego, ekklesia) é um grupo de pessoas chamadas para saírem do pecado e pertencerem a Cristo. Jesus prometeu edificar a igreja dele (Mateus 16:18). Deus comprou a igreja com seu próprio sangue no sentido que ele comprou cada pessoa salva (Atos 20:28; cf. 1 Coríntios 6:20).

    Paulo frisou a importância de procedimento adequado “na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1 Timóteo 3:15). Embora a igreja não salva, ela tem um papel fundamental na divulgação do evangelho. Devemos valorizar a casa de Deus.

    Quando se trata da responsabilidade de participar de uma igreja, uma congregação local, o Novo Testamento não deixa dúvida. Além de muitos exemplos no livro de Atos e referências nas epístolas, encontramos instruções específicas que exigem a nossa participação nas reuniões de uma igreja. O autor de Hebreus claramente condena a atitude de pessoas que deixam de se congregar, porque negligenciam seu papel importante na edificação mútua (Hebreus 10:23-27).

    Outras instruções exigem a nossa participação nas reuniões da igreja para participar da Ceia do Senhor (1 Coríntios 11:17-34; cf. Atos 20:7), para juntar ofertas (1 Coríntios 16:1-3; Atos 4:36-37; 5:1-2) e para resolver questões de pecado na congregação (1 Coríntios 5:4-5). Discípulos de Cristo se juntam, também, para cantar hinos de louvor e edificação (Efésios 5:19-21) e para ensinar a palavra do Senhor (1 Coríntios 14:26).

    Pessoas que negligenciam estas responsabilidades, não participando dos cultos da congregação, desobedecem a Deus. Pecam contra os irmãos e contra o Senhor.

    Seja fiel na sua participação em uma congregação local. E não deixe de examinar tudo para verificar que a igreja onde você congrega esteja realmente agradando a Deus em doutrina e prática (1 Tessalonicenses 5:21-22).

    Fonte Marcas de Cristo

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Versículos bíblicos que não existem... mas que são usados em pregações.

 

de Ruy B. Marinho

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Por: Rafael Gabas Thomé de Souza

1. “Onde está seu coração, ali está o seu tesouro.”

Este “versículo” é tão usado pelos presbíteros, e citado pelos cristãos em geral, que é difícil encontrar alguém que identifique sua falsidade. De forma que podemos considerá-lo até como um “aspirante a versículo”. Na verdade, a maioria dos evangélicos acredita que, tão certo quanto o fato de Deus ser composto por três Pessoas, estas palavras são da própria Bíblia. A confecção deste texto inverídico deve ter sido feita após uma leitura desatenta do Sermão da Montanha, especificamente na parte em que o Mestre prega sobre o ajuntamento ilícito de riquezas na terra. Repare a diferença entre o trecho original e o texto distorcido pelos homens:

“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”
(Mt 6.21)

Os descuidados invertem o dito do Senhor Jesus: colocam “coração” onde está escrito “tesouro” e põe “tesouro” onde está escrito “coração”. Isso para que dê a aparência de que Cristo ensinava que não importa a quantidade de bens materiais que a pessoa possua: bastaria ela colocar o coração em Deus que estaria tudo resolvido.

O que Jesus disse, realmente, é que nós podemos saber onde está o coração de uma pessoa observando onde ela ajunta suas riquezas: no céu ou na terra.

Vale lembrar que isso não condena o enriquecimento material, defendido como uma bênção divina em toda a Bíblia (Ec 5.19; 1Tm 6.17). O Messias estava apenas usando um recurso semítico de linguagem, comum na Bíblia, onde o lado natural era enfraquecido para enfatizar o lado espiritual. Por exemplo:

a) "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna..." (Jo 6.27)

Será que Jesus estava condenando o hábito de trabalhar pelo sustento material, ou Ele queria apenas dar importância ao ato de buscar as coisas de Deus? Outro exemplo do recurso semítico usado por Jesus é encontrado no Antigo Testamento, onde José diz:

b) "...não fostes vós que me enviastes para cá, e, sim, Deus…" (Gn 45.8)

Assim, poderíamos concluir que os irmãos de José não o mandaram para Egito. Mas, quatro versículos antes, ele havia dito: "Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito." (vs. 4)

Pregando sobre a forma de amar aos semelhantes, o apóstolo João declara:

c) "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

Fica claro que João não desejava proibir o uso de palavras no exercício do amor, mas somente afirmar que o amor não pode se limitar ao uso delas. De qualquer forma, não devemos e não podemos criar textos bíblicos para defender o ajuntamento de riquezas terrenas, pois a própria se encarrega de fazer tal defesa em inúmeras outras porções.

2. “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus.”

Igual ao versículo anterior, esta frase é corriqueiramente declarada aqui e ali, sempre que o assunto tocado é fé. Ele é tão engenhosamente elaborado que muitos homens e mulheres de Deus o “soltam” de vez em quando, crendo piamente de que estão proferindo a Palavra de Deus. Na verdade, o que a Bíblia ensina é:

“De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.”
(Rm 10.17) [ARC]

O apóstolo dos gentios está afirmando que o “ouvir” é produzido pela Palavra de Deus, e que é por esse “ouvir” que vêm a fé. É bem diferente do que os descuidados fazem a Bíblia parecer ensinar, pois, conforme a “pérola” pseudo-escriturística que eles criaram, é o ouvir do homem que gera a fé. Para entender melhor a diferença entre as versões de Rm 10.17, veja o que diz a Revista e Atualizada:

“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.”

A palavra “ouvir”, empregada em várias traduções, tem o sentido de “entender”, “compreender” a mensagem do evangelho, por meio da pregação expositiva, e não ao mero ato de escutar.

3. “Os anjos queriam pregar o Evangelho, mas Deus reservou esta tarefa aos homens.”

É difícil entender de onde se originou esta tese teológica. Ela é tão espalhada pelas igrejas que se tornou quase um “adendo” popular à Bíblia, um versículo extraído da cartola mágica cada vez que se fala sobre a necessidade de levar as boas-novas aos perdidos. Apesar da raiz desta árvore infrutuosa não ser de tão fácil identificação, podemos sugerir que ela se encontra nas palavras de Pedro, o apóstolo dos judeus:

“A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” (1Pe 1.12)

Talvez alguém que não conhece o sentido do termo “perscrutar” tenha lido o texto e daí tirado uma falsa conclusão, imaginando que o pescador de homens teria escrito que as “coisas” que os anjos anelam perscrutar é a atividade da pregação, e que perscrutar significa “fazer”. Embora seja essencial conhecer o sentido dos termos usados na Bíblia, o indivíduo que fez o versículo “abíblico”, que estamos desmascarando, vir à luz, não precisava recorrer ao dicionário para interpretar adequadamente o escrito de Pedro.

Veja o que diz a Revista e Corrigida:

“..para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.”

A tradução dos monges de Maredsous reza:

“Revelações estas, que os próprios anjos desejam contemplar.”

O que os seres celestiais desejam receber são as revelações proféticas de Deus, e não o encargo de levar o evangelho aos pecadores.

4. “E vi uma taça de ouro no céu. E perguntei: Que é isso, meu senhor? E me respondeu: Lágrimas de santos.”

Diferentemente das revelações divinas que os anjos queriam conhecer, as invenções humanas que vimos até aqui são pérolas baratas, recolhidas nas águas rasas do relaxo para com a Palavra de Deus. O pseudo-versículo transcrito acima foi citado duas ou três vezes por um querido pastor, a quem considero como grande pregador, e que possui uma igreja de tamanho médio, o que prova que ninguém está livre de soltar das suas “furadas” de vez em quando.

Este presbítero afirmou, com uma certeza tão segura quanto sua fé na auto-existência de Deus, que o diálogo acima foi tecido durante uma visão do apóstolo João, no livro de Apocalipse. Por incrível que pareça, ele não se preocupou em procurar este texto na Bíblia, quer antes de citá-lo, quer após, na repetição de seu erro. O mais próximo que lemos no livro das revelações ao que o referido pastor disse é o que segue:

“E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.” (Ap 5.8)

“Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, que são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro (...) E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” (Ap 7.13,14,17)

A junção desalinhada destes versículos deve ter resultado naquela prole híbrida que, infelizmente, foi apresentada no púlpito daquela congregação ao povo que ali estava, como sendo a Palavra de Deus. Resta saber quem foi o pai da criança, o qual não apareceu na apresentação da bastarda.

5. “Ficai em Jerusalém até que seja glorificado do alto”.

Igual ao versículo anterior, esta “muamba” é o resultado da fusão de dois textos inspirados. O que o torna mais abominável que todos os outros é que tem, em sua genealogia, um problema semelhante ao visto na distorção de 1Pe 1.12: a falta de compreensão acerca de uma determinada palavra.

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de águas vivas. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” (Jo 3.37-39)

“E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes” (At 1.4)

Durante um estudo bíblico que ocorria em uma célula um certo rapaz, a quem estimo e tenho como um servo de Deus, disse que havia uma parte da Bíblia em que Jesus aconselhava seus apóstolos a ficarem em Jerusalém até que Ele fosse glorificado, ocasião em que o Espírito Santo desceria sobre eles. De acordo com aquele jovem, isso significava que Cristo ficou esperando que os discípulos o louvassem, glorificando-o, a fim de que o batismo no Espírito Santo fosse concedido a eles. Na realidade, o apóstolo do amor, em sua biografia de Jesus, não empregou a palavra “glorificado” com o sentido de “elogiado” ou “louvado”. Eles quis dizer que Jesus, como homem, ainda não havia sido “engrandecido”, ou “exaltado”, o que só ocorreria quando fosse levado à presença de Deus, a fim de se sentar ao lado do trono e ser reconhecido como Deus por Sua criação (Fp 2.9-11; cf. Is 45.23).

Confira o que a Bíblia na Linguagem de Hoje verte em Jo 7.39:

“Jesus estava falando a respeito do Espírito Santo, que aqueles que criam nele iriam receber. Essas pessoas não tinham recebido o Espírito porque Jesus ainda não havia voltado para a presença gloriosa de Deus.”

O apóstolo Pedro confirmou que Cristo foi glorificado por Deus, na ocasião de sua assunção e exaltação divina:

“Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis. (...) Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” (At 2.33,36)

6. “Toda a terra se encherá da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.”

Esta passagem fictícia é muito bonita – existe até uma canção que entoamos sobre ela em minha igreja – mas não faz parte dos escritos inspirados. Na realidade, o que a Bíblia afirma é:

“Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.” (Is 11.9)

“Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.” (Hc 2.14)

Como se vê, em momento algum se afirma que a terra se encherá da glória do Senhor. E isso para o desgosto dos que, mesmo com dezenas de anos de Evangelho nos ombros, tinham a frase supra-citada como sendo uma autêntica profecia divina.

7. “E Moisés disse: Que hei de fazer, Senhor? Pois eis que os egípcios se reúnem contra mim e contra este povo, a quem escolheste. E o Senhor disse a Moisés: Toca na águas.”

Deus não ordenou que Moisés tocasse no mar, e, realmente, não foi isso o que este profeta fez. Leia o relato singelo que se contrasta com a idéia exposta acima:

“Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar seco.(...) Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas.” (Êx 14.15,16,21)

Para quem possui dúvidas, basta atentar em que Moisés dividiu o mar não pelo toque de seu bordão na água do mar, mas pelo fato de estendê-lo sobre a água, fazendo com que um vento leste soprasse por toda a noite até dividir aquela massa líquida, que teria se juntado ao sangue hebreu caso Deus não houvesse intervindo com tal milagre (que, repetindo, não envolveu nenhum toque de vara).

Parece que há pessoas que não gostam do legislador de Israel, pois, como se não bastasse ele haver tocado na pedra para dela extrair água – desobedecendo à ordem de Deus para somente falar à pedra –, ainda querem fazê-lo incorrer em um delito de igual gravidade. Deste jeito, não era nem preciso esperar chegar nos limites de Canaã: nem mesmo da terra do Egito o escolhido de Deus teria passado. Tsc, tsc, tsc...

8. “Jovens, vós sois a força da igreja.”

A fim de defender a importância dos cristãos jovens, um querido e dedicado líder de igreja tinha por costume citar este “versículo”, a fim de dizer que eles seriam o motor do Corpo de Cristo. Isso é uma distorção grosseira e irresponsável da Palavra de Deus, que afirma algo muito diferente, porém também honroso acerca dos jovens convertidos do 1º século:

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1Jo 2.14c)

Oremos fervorosamente para que os jovens da Igreja Contemporânea também exibam estas três características, removendo e enterrando o que é velho (cf. At 5.5,6) para dar lugar às coisas novas do Senhor, uma nova porção do Espírito que caia como vinho fresco sobre a Igreja (Lc 5.37-39; Ef 5.18), abundando em conhecimento da Palavra (Mt 13.51,52; 1Jo 2.20,27), para que esta venha a ter cumprimento: “...e os jovens terão visões” (At 2.17).

9. “E, aconteceu que, subindo a arca do Senhor a Jerusalém, ao som da harpa, do alaúde e da cítara, Davi dançava no Espírito, com todas as suas forças.”

Hoje em dia, há pessoas que não aceitam o que a Bíblia ensina, em sua totalidade, acerca do louvor a Deus. Apesar de tão espirituais, elas são atingidas por uma “micalite aguda” (cf. 2Sm 6.20), que soa como um gongo pseudo-moralista toda vez que, numa reunião de culto, um crente se coloca a expressar sua gratidão e alegria ao Senhor usando todo o seu corpo, além dos lábios e das mãos. Para disfarçar essa mentalidade carnal, alguns afirmam que Davi – e também a profetiza Miriã –, dançou tomado pelo Espírito Santo, em uma ocasião única e inigualável, ignorando outras porções escriturísticas (Jz 21.19,20; Sl 149.3; 150.4; At 3.8).

É certo que o rei hebreu dançou mesmo no Espírito. Afinal, tudo o que os servos de Deus fazem é sob a direção Dele.

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” (Gl 5.25)

Se a dança davídica não fosse espiritual, o Senhor não teria se agradado dela, da mesma forma que Ele não se agrada quando alguém lhe entoa um cântico “na carne”, sem meios de render-lhe sacrifícios de louvor com os lábios (Hb 13.15).

Mas afirmar que o rei foi possuído por Deus enquanto levava a arca, dançando em estado de êxtase, é forçar o que está escrito e ir além da verdade – embora estas experiências fossem comuns entre os profetas daquele tempo.

10. “Tocava Davi sua harpa no palácio de Saul. E havia que, subindo sua adoração ao Senhor, o rei era liberto do espírito que o atormentava.”

Esse é um dos maiores mitos disseminados entre os evangélicos. As Escrituras não afirmam que Davi louvava a Deus perante o rei Saul, e tampouco que o demônio saía deste em razão da sua “adoração ungida”. Na verdade, os toques do jovem israelita, dedilhando as cordas de seu instrumento, acalmava a mente perturbada do monarca, causando-lhe um efeito terapêutico. Isso era meramente paliativo, pois o espírito voltava a atacar periodicamente, necessitando que Davi tocasse novamente para reverter o estado frenético em que o rei d’Israel ficava ao ser controlado por aquele demônio de loucura.

“E sucedia que, quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a dedilhava; então, Saul sentia alivio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.” (1Sm 16.23)

Isso revela que, muitas vezes, métodos humanos podem surtir efeitos benéficos sobre vítimas de espíritos de cegueira, epilepsia, mudez, transtornos mentais, e outros.

11. “Cristo virá, e os mortos ressuscitarão; num instante, num abrir e fechar de olhos, nós subiremos a ele, e para sempre estaremos com o Senhor.”

Creio que este seja um dos dez principais contrabandos, vendidos nas igrejas evangélicas, como autênticos versículos bíblicos. É de uma natureza tão torpe, que é triste averiguar a imensa popularidade que conquistou em todas as camadas, dos novos convertidos até os maiores mestres da Palavra. Veja por si mesmo o que ensina a Palavra divina:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1Co 15.51,52)

O que o ministro dos gentios está dizendo? Que o arrebatamento será tão rápido como um piscar d’olhos, ou que a transformação dos nossos corpos –de mortais a incorruptíveis– será assim? É claro que a segunda opção é correta.

Esta história de Jesus voltar e os cristãos serem transformados e transladados, num milésimo de segundo, conseguiu se entremear nas páginas bíblicas em razão da aceitação do dispensacionalismo, um sistema escatológico que ensina que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Como os crentes poderiam ser arrebatados sem que o mundo os visse subindo até o Senhor? A resposta está neste texto pseudo-escriturístico.

12. “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução; antes, embriagai-vos com o Espírito Santo.”

Esse é usado para defender as experiências de êxtase, nas quais os crentes balançam, caem, riem e fazem outras coisas mais. É uma tolice recorrer a uma invencionice tão descarada para embasar estas coisas. Há textos verídicos que abrem espaço para crermos que o Espírito Santo pode fazer as pessoas ficarem como ébrias. Para saber mais sobre isso, consulte o estudo “As Escrituras e os Êxtases Espirituais".

13. “Em verdade, em verdade vos digo: o diabo vem para matar, roubar e destruir. Mas eu vim para tenhais vida, e vida em abundância.”

“O ladrão não vem senão para matar, roubar e destruir. Mas eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância.” (Jo 10.10)

Quem é o ladrão que mata, rouba e destrói? O contexto clarifica a identidade de tal personagem:

“Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.” (vs. 8)

No vs. 10, Cristo não está especificando uma pessoa em particular como “ladrão supremo”, que seria Satanás, mas afirmando um conceito genérico: uma pessoa que recebe o título de “ladrão” tem por ocupação a apropriação total do bem alheio, mesmo que isso inclua roubar, destruir e matar aos outros. Contrariamente a isso, Jesus não é ladrão, pois Sua obra é o oposto disso: trazer a vida abundante, que é a vida eterna, espiritual. Em momento algum o Mestre cita a existência ou atuação do diabo.

14. “Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas.”

15. “Vós escolhestes a Saul sobre vós e vossos filhos, mas eu, o Senhor, não o escolhi; eis agora a Davi, homem segundo o meu coração, a quem tirei do aprisco de seu pai para reinar em Israel.”

16. “Irmãos, não desfaleçais; pois nos últimos dias virá o enganador, transfigurado em anjo de luz, o diabo e Satanás, que seduzirá a terra inteira. Ele surgirá como homem, falando e enganando a muitos, mas os escolhidos não lhe darão crédito.”

17. “E Sansão crescia em força e graça diante do povo de Israel; e era o varão mais forte de toda a terra, pois ninguém se igualava a ele entre os hebreus, os filisteus, os egípcios ou dos do lado da banda do oriente.”

18. “Aproveitando o sono de seu marido, Dalila foi e cortou-lhe as madeixas da cabeça, nas quais não passara navalha desde o nascimento; pelo que perdeu ele suas forças.”

19. “E, após os apóstolos terem visto o Senhor manifestado, chegou Tomé ao lugar em que estavam reunidos; contando-lhe os discípulos que o Senhor ressuscitara, e que havia aparecido a eles, não creu ele, pois era incrédulo, e duro de coração.”

20. “Vigiando em todo o tempo acerca do vosso falar e do vosso trato com os outros, pois Satanás anda em derredor, anotando nossas palavras; vede, portanto, que vossos dizeres não sejam usados para condenação, mas para glória no Dia do Senhor Jesus.”

21. “Acautelai-vos, pois Satanás, vosso inimigo, aguarda o momento de vosso desânimo para vos arrastar para o inferno, onde há pranto e ranger de dentes.”

22. “O diabo marca toda palavra que falamos.”

23. “E aconteceu que, com a pregação de Pedro, mais de três mil almas se converteram no dia de Pentecostes.”

Com certeza, muitos outros versículos “falseados” tem aparecido pelo mundo afora. Estes são os que conheci até hoje, sem contar as conclusões totalmente infundadas que alguns têm feito sobre textos bíblicos, tais como:

a) Pregar que Jesus levou nossas doenças físicas, baseando-se em Is 53.4,5, que é uma profecia do Antigo Testamento, que deveria ser interpretada à luz do Novo Testamento, em Mt 8.16,17 e 1Pe 2.24;
b) Ensinar que a prosperidade é um direito dos cristãos, com base nas promessas de Dt 28.1-14, enquanto as instruções sobre as guerras aos cananeus são espiritualizadas;
c) Declarar que a Igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação, construindo um castelo de areia sobre 1Ts 5.9, em vez de ler este versículo à luz de Ap 14.10;
d) Isolar o texto de Dt 6.4 para negar a pluralidade de Pessoas na unidade de Deus, enquanto o Novo Testamento ensina que essa unicidade é formada por “o Pai, a Palavra e o Espírito Santo” (1Jo 5.7, Almeida), sendo que o próprio Antigo Testamento já deixa isso implícito (Gn 1.26 c.c. Is 44.24).

Além disso, ouvimos também as frases engraçadas, que são facilmente identificadas por qualquer conhecedor mediano das Escrituras:

“Se ajude, e Eu te ajudarei”.

“Quem pariu Mateus que o cuide”.

E por aí vai.

Autor: Rafael Gabas Thomé de Souza
O autor é é estudante e ex-atirador do TG 02-010 em Araçatuba (SP)
Fonte: [ Militar Cristão ]

Profecia e Cumprimento: O Servo que Veio “Porque o que diz respeito a mim mesmo tem seu cumprimento.” Lucas 22:37   Isaías, oito...