Eis o Cordeiro
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”
João 1.29
Fora do Éden, junto ao primeiro altar,
Abel trouxe o cordeiro em sua mão;
não o fruto da terra a se ofertar,
mas sangue que falava de perdão.
(Gênesis 4.4; Hebreus 11.4)
No monte Moriá, pergunta o menino:
“Meu pai, onde está o cordeiro, então?”
E o pai responde, firme no destino:
“Deus proverá.” E a fé não foi em vão.
(Gênesis 22.7-8)
Na noite escura, o Egito em lamento,
o sangue na porta marcou cada lar;
não foi mérito, nem merecimento:
“Vendo o sangue, eu vou passar.”
(Êxodo 12.7,13)
Isaías viu, de longe, o Servo amado,
calado como ovelha ao tosquiador;
por nossas culpas foi traspassado,
levou sobre si a nossa dor.
(Isaías 53.4-7)
Então, junto às águas do Jordão,
João apontou, e a espera terminou:
“Eis o Cordeiro!” E a antiga questão
de Isaque, enfim, resposta encontrou.
(João 1.29; Gênesis 22.8)
Na véspera da Páscoa, no madeiro,
nenhum dos seus ossos se quebrou;
e um brado ecoou no mundo inteiro:
“Está consumado!” E a dívida findou.
(João 19.14,30,36)
João chorava: ninguém era achado
digno de abrir o livro do Senhor;
anunciam o Leão, e ele, espantado,
vê um Cordeiro, ferido e vencedor.
(Apocalipse 5.4-6)
Na cidade onde a noite não existe,
o Cordeiro é a luz que nunca cessa;
não há maldição, nem choro triste:
Deus cumpriu, enfim, sua promessa.
(Apocalipse 21.4,23; 22.3,5)
E a antiga pergunta do menino
ainda ecoa em todo coração;
mas o céu responde, num cântico divino:
“Digno é o Cordeiro da salvação!”
(Gênesis 22.7; Apocalipse 5.12)
Presb. Álem Martins
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