terça-feira, 29 de setembro de 2026

 Meio Século de Mãos Dadas

“As muitas águas não poderiam apagar este amor,
nem os rios afogá-lo.”
C ANTARES 8: 7


Cinquenta anos cabem numa aliança,

e ainda assim transbordam do seu ouro:

foi com fé que plantamos a esperança,

e o tempo a fez crescer como um tesouro.


Nasceste professora, de ofício e de alma,

e ensinaste com paciência e com ternura;

mas a lição maior, ensinada com calma,

é o amor que tudo espera e que perdura.


Tua casa nunca teve porta estreita,

nem tua mesa, lugar reservado:

todo aquele que chega ali se ajeita

e encontra o mesmo pão, o mesmo agrado.


Tua fé em Cristo é a lâmpada acesa

que alumia os passos da jornada;

contigo, até a noite tem clareza,

ó eterna companheira de estrada.


Vimos a casa encher-se de alegria:

três filhos, depois netos ao redor.

A mesa foi crescendo a cada dia,

e cada rosto é fruto desse amor.


Cruzamos juntos tantos horizontes,

o mundo nos foi estrada e paisagem;

mas nem mares, nem cidades, nem montes

se comparam à nossa maior viagem.


Veio depois o tempo duro e incerto:

quarenta e oito dias de hospital.

E tu ficaste ali, sempre por perto,

na vigília mais longa e mais leal.


Tua mão segurava a minha mão

quando a minha já quase não podia;

eras o anjo de Deus, em oração,

velando a noite até raiar o dia.


Maria Martins, esposa, amor primeiro

e único que o coração conhece:

obrigado por meio século inteiro,

dádiva do Criador, que ainda floresce.


Do seu companheiro de estrada,


Álem

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