Meio Século de Mãos Dadas
“As muitas águas não poderiam apagar este amor,
nem os rios afogá-lo.”
C ANTARES 8: 7
Cinquenta anos cabem numa aliança,
e ainda assim transbordam do seu ouro:
foi com fé que plantamos a esperança,
e o tempo a fez crescer como um tesouro.
Nasceste professora, de ofício e de alma,
e ensinaste com paciência e com ternura;
mas a lição maior, ensinada com calma,
é o amor que tudo espera e que perdura.
Tua casa nunca teve porta estreita,
nem tua mesa, lugar reservado:
todo aquele que chega ali se ajeita
e encontra o mesmo pão, o mesmo agrado.
Tua fé em Cristo é a lâmpada acesa
que alumia os passos da jornada;
contigo, até a noite tem clareza,
ó eterna companheira de estrada.
Vimos a casa encher-se de alegria:
três filhos, depois netos ao redor.
A mesa foi crescendo a cada dia,
e cada rosto é fruto desse amor.
Cruzamos juntos tantos horizontes,
o mundo nos foi estrada e paisagem;
mas nem mares, nem cidades, nem montes
se comparam à nossa maior viagem.
Veio depois o tempo duro e incerto:
quarenta e oito dias de hospital.
E tu ficaste ali, sempre por perto,
na vigília mais longa e mais leal.
Tua mão segurava a minha mão
quando a minha já quase não podia;
eras o anjo de Deus, em oração,
velando a noite até raiar o dia.
Maria Martins, esposa, amor primeiro
e único que o coração conhece:
obrigado por meio século inteiro,
dádiva do Criador, que ainda floresce.
Do seu companheiro de estrada,
Álem

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