Google+ Álem M. Martins: Agosto 2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Festa na véspera

MIRIAM LEITÃO

Então é isso? Uma eleição cuja campanha começou antes da hora acabou antes que os votos sejam depositados na urna? A vencedora de véspera já estendeu a mão, magnânima, à oposição; seus dois maiores caciques começaram uma briga intestina; cargos são distribuídos entre os partidos da base e os assessores já preparam os planos e projetos. Fala-se do futuro como inexorável.

O quadro está amplamente favorável a Dilma Rousseff, mas é preciso ter respeito pelo processo eleitoral. Se pesquisa fosse voto, era bem mais simples e barato escolher o governante. Imagina o tempo e o dinheiro poupado se pesquisas, 30 dias antes do pleito, fossem suficientes para o processo de escolha? A estrutura da Justiça Eleitoral, as urnas distribuídas num país continental, mesários trabalhando o dia inteiro, computadores contando votos; nada disso seria necessário. Mas como eleição é a democracia num momento supremo, respeitá-la é essencial. Os que estão em vantagem, e os que estão em desvantagem, não podem considerar o processo terminado porque isso amputa a melhor parte da democracia, encerra prematuramente o precioso tempo do debate e das escolhas.

Dilma já sabe até o que fará depois de ser eleita, como disse na sexta-feira: “A gente desarma o palanque e estende a mão para quem for pessoa de boa vontade e quiser partilhar desse processo de transformação do Brasil.” Os jornalistas insistiram, ela ficou no mesmo tom: “Estendo a mão para quem quiser partilhar. Eu não sei se ele (Serra) quer. Você pergunta para ele, se ele quiser, perfeitamente.” Avisou que se alguém recusasse, não haveria problema: “Pode ficar sem estender a mão, como oposição numa boa que vai ter dinheiro.” Já está até distribuindo o dinheiro público.

Feio, muito feio. Por mais animador que seja para Dilma os resultados da pesquisa — e deve ser difícil segurar a ansiedade — ela deveria pensar em algumas coisas antes. Primeiro, que falta o principal para ela ganhar: o voto na urna. Segundo, que o eleitor muda de ideia na hora que quer, porque para isso é livre. Terceiro, que, novata em eleição, deve seu sucesso a fatores externos a ela: o presidente Lula, o momento econômico e a eficiência dos seus marqueteiros. Aliás, o marketing de Dilma tem sido tão eficiente em aparar todas as arestas de sua personalidade que criou uma pessoa que nem ela deve conhecer.

O salto alto não é só dela, a bem da verdade. A síndrome das favas contadas se espalha por todo o seu entorno, cada vez mais desenvolto. Por isso já começaram a brigar os generais de cada uma das bandas: Antonio Palocci e José Dirceu. Da última vez que brigaram, os dois caíram. A disputa dos partidos da base de apoio pelos cargos públicos, como se fossem os despojos da guerra já vencida, é um espetáculo que informa muito sobre valores, critérios e métodos do grupo.

A desenvoltura do já ganhou é tanta que até o presidente Lula, dono da escolha autocrática de Dilma, parece meio enciumado e reclamou que já falam dele no passado. E avisou: “Ainda tenho caneta para fazer muita miséria.” A declaração inteira é reveladora: “Tem gente que fica falando aqui como se eu já tivesse ido embora, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias de governo. Alguns falam como se eu já tivesse ido. Tem gente que se mata para ser presidente por um dia e ainda tenho quatro meses e alguns dias. Ainda tenho a caneta para fazer muita miséria nesse país.”

O sentimento é um perigo. O presidente Lula já está fazendo miséria. Atropelou o calendário eleitoral, zombou das multas na Justiça, pôs o governo que dirige para trabalhar pela sua candidata como se a máquina pública fosse um partido político.

Há uma lista enorme de misérias econômicas que o governo Lula tem feito nesse final dos tempos. Os gastos foram inchados, aumentos salariais ao funcionalismo já foram concedidos no próximo orçamento, restos a pagar se aproximam dos R$ 100 bilhões, projetos são precipitados sem análise de risco, o Tesouro vai emitir uma montanha de dívida para capitalizar a principal estatal. Enfim, o governo no finalzinho não lembra em nada o comedido início. Aliás, a razão da briga entre os generais José Dirceu e Palocci é exatamente esse ponto: se é melhor ter uma cara de austeridade, ou continuar fazendo miséria.

O curioso da insegurança que bateu no presidente Lula é que foi ele mesmo que explicitou o clima de “fui” na campanha de Dilma Rousseff com aquele filmete do: “entrego em suas mãos.”

Na sexta, Dilma disse mais: “Meu projeto político é ficar quatro anos. Na próxima eleição, digo o resto do projeto.” Então ela já começou a pensar na eleição de 2014? Mas pelos cálculos petistas, a história brasileira está decidida até 2022. É Dilma, agora. Depois, Lula em dois mandatos. Está tudo decidido para os próximos doze anos. O país teria assim um período de 20 anos de governo petista.

Quando Dilma brigou com Palocci em 2005 e disse que o projeto de zerar o déficit público era rudimentar, ela usou a conhecida expressão de Garrincha: “Falta combinar com os russos.” Agora, falta combinar com os brasileiros.



FALTA DE INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA TIRA OS CAMINHONEIROS DAS ESTRADAS


UCHO.INFO

caminhao_02Candidata do Partido dos Trabalhadores à sucessão de Luiz Inácio da Silva, a neopetista Dilma Rousseff, durante entrevista ao Jornal da Globo, falou sobre os investimentos do governo federal em infraestrutura. Exalando o mesmo messianismo que o companheiro que a inventou eleitoralmente, a candidata desfiou os supostos acertos da atual administração, como se parte da sociedade não soubesse da realidade.

Para deixar claro que Dilma Rousseff não fala a verdade, há atualmente no País excesso de vagas para motorista de caminhão. A baixa procura se explica pela falta de segurança nas estradas, as péssimas condições das rodovias e a falta de infraestrutura no momento do carregamento e descarregamento, o que prolonga o tempo que o caminhoneiro fica longe de casa.

Tal cenário ratifica a falta de competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. No que depende da iniciativa privada, os produtos chegam às portas das fábricas ainda competitivos, mas bastou alcançar as ruas para que o calvário prevaleça de maneira covarde e escandalosa. De impostos altos à falta de infraestrutura, passando pela supervalorização do Real, tudo contribui para que o Brasil fique à margem de muitos dos grandes negócios mundiais. Sem contar que, sob o comando de Celso Amorim, a diplomacia tupiniquim sofre de incompetência jamais vista.

DILMA MENTE NOVAMENTE

Em entrevista concedida ao ‘Jornal da Globo’, Dilma Rousseff afirmou que Lula participou da negociação que levou à libertação de presos políticos de Cuba.

Mais que isso, a presidenciável petista disse que seu cabo eleitoral foi “responsável pela soltura”. Trata-se de uma declaração no mínimo controversa.

O mundo ficou sabendo no dia 8 de julho que Cuba decidira soltar, até outubro, 52 prisioneiros de consciência. Atribuira-se a novidade a dois fatores:

1. O êxito de uma negociação que a Igreja Católica abrira com a ditadura da ilha caribenha havia meses.

2. O constrangimento a que Cuba vinha sendo submetida graças à repercussão mundial da greve de fome de quatro meses do dissidente Guillermo Fariñas.

No dia seguinte, 9 de julho, Lula comentaria o fato. Realizava um giro pela África. Estava no último estágio da viagem, em Johannesburgo.

Em entrevista, o presidente classificou o acordo de “ótimo”. Disse ter recebido a informação com “alegria” e “felicidade”.

Na véspera, o chanceler Celso Amorim e o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, haviam insinuado que o Brasil participara das tratativas.

No dizer de Marco Aurélio Lula fizera "gestões discretas" quando estivera em Havana, no mês de fevereiro.

Porém...

Porém, o própria Lula transformaria as insinuações em pó ao informar aos repórteres que não estava a par das negociações da Igreja com o regime cubano.

Com as declarações da noite passada, Dilma devolve ao noticiário uma versão que o próprio presidente refugara há mais de um mês.

Os comentários da candidata foram feitos em resposta a uma questão sobre a comparação infeliz que Lula fizera.

O presidente equiparara os presos políticos de Cuba aos bandidos recolhidos às cadeias de São Paulo.

Perguntou-se a Dilma se, como ex-prisioneira política da ditadura brasileira, ela concordava com a analogia construída por Lula.

Ela saiu em defesa do patrono. Disse que sua “trajetória política e de vida” derrubam a versão de que “ele não lutou a vida inteira pelos direitos humanos”.

Depois, emendou: “O Brasil é responsável pela soltura dos presos políticos de Cuba”.

Sem descer a detalhes, disse que Lula e o Itamaraty realizaram “tratativas”. Coisa feita, segundo disse, “de forma discreta”.

Mais adiante, acrescentou: “Não acho correto [...] falar que o presidente tomou uma atitude errada nesse episódio”.

E repisou: “O presidente, eu vou repetir, foi o responsável, um dos, pela soltura dos presos políticos cubanos”.

De duas uma: ou o governo desdiz Lula e demonstra qual foi a participação brasileira no episódio ou Dilma passará por propagadora de uma inverdade.

Noutro trecho da entrevista, Dilma foi inquirida sobre a guerrilha colombiana: Por que hesita em chamar as Farc de narcoguerrilha?

E ela: “Jamais hesiteiem chamar”. Disse que, além dela, governo Lula acha que as Farc tem ligação com “o crime organizado e o tráfico de drogas”.

Nesse ponto, disse ter lido, no domingo, uma entrevista do novo presidente da Colômbia Juan Manuel Santos.

Realçou que ele próprio admitira que, como ministro da Defesa do antecessor Alvaro Uribe, dialogara com as Farc.

E acrescentou: “No Brasil, a gente tem que perder essa visão conspiadora. Se não conversar, você não consegue, inclusive, a paz”.

Perguntou-se também a Dilma se o deputado cassado José Dirceu participará de seu eventual governo. Ela poderia ter dito não. Mas preferiu rodear.

“Não tenho discutido futuro governo. Por uma questão de respeito à população. Para começar a discutir governo, teria que estar eleita. É preciso respeitar o voto do povo”.

Aproveitou para alfinetar Serra, que a acusara de “sentar na cadeira antes da hora”. Evocando FHC, disse: quem foi à poltrona antes do prazo foi “um ex-presidente”.

Pergintou-se à candidata como pretende se livrar da pecha atribuída a Lula de ter apinhado a máquina estatal de “militantes”.

Dilma repetiu o lero-lero segundo o qual só pretende nomear “políticos que tenham competência técnica”.

Voltou a negar que pretenda fazer um ajuste fiscal. Rechaçou a acusação de envolvimento na queba de sigilo do IR de tucanos.

Disse que é o PSDB quem tem tradição nessa matéria. Nem por isso, disse, acusa Serra.

Movimento Ordem e Vigília Contra a Corrupção


sábado, 28 de agosto de 2010

CRESCE MOVIMENTO CATÓLICO CONTRA DILMA E PT

O INIMIGO JÁ CANTA VITÓRIA

Dilma Rousseff não apenas está certa da vitória. Está certa de vencer em primeiro turno, tingindo de vermelho nossa bandeira, legalizando a morte de inocentes, expulsando os símbolos religiosos do governo e substituindo-os pela estrela vermelha de cinco pontas.

Ela zomba de nós, cristãos. Não achou necessário comparecer ao debate da TV Canção Nova a fim de explicar seu apoio ao aborto, à união civil de pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por duplas homossexuais e ao reconhecimento da prostituição como uma profissão. Alegou falta de tempo em sua agenda. No entanto, durante o debate, ela postava em sua página no Twetter uma mensagem indicando um novo álbum da banda mineira "Pato Fu": "Olha que interessante, o Pato Fu interpretando músicas de sucesso usando instrumentos de brinquedo".

Ela conta com a máquina petista, com o apoio explícito do atual presidente durante o horário eleitoral gratuito, com a fascinação do povo pelas esmolas conhecidas como bolsa-família e congêneres e, por fim, com o silêncio de muitos pastores de almas.

O inimigo festeja. O Brasil está a caminho de se tornar uma nova Cuba, onde a religião é perseguida, a liberdade é cerceada e anualmente ocorrem, segundo estatísticas oficiais, cerca de 50 abortos para cada 100 partos. Olhemos para a Venezuela, onde o povo é oprimido pela ditadura de Hugo Chavez, que insiste em se perpetuar no poder. Olhemos para a China, onde o aborto é usado pelo governo comunista como método de contenção da população. Olhemos para as FARC, aquele grupo terrorista que aflige dolorosamente o povo colombiano. Olhemos por fim para a Espanha, onde o Partido Socialista Operário Espanhol (versão espanhola do PT) desde que subiu ao poder não fez outra coisa senão combater as raízes cristãs daquela nação: instituiu o divórcio "express" (por decisão de uma das partes, sem necessidade de separação prévia ou de explicar as razões), o "casamento" de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por tais "casais", e recentemente o aborto livre até 14 semanas inclusive para adolescentes de 16 anos.

Toda essa tragédia está iminente no país. Parece que o PT desafia a nós, que confiamos no Senhor, como antes o rei Senaquerib da Assíria desafiou o rei Ezequias: "Dentre todos os deuses das nações, quais os que livraram sua terra de minha mão, para que o Senhor possa salvar Jerusalém?" (2Rs 18-19).

DE DEUS NÃO SE ZOMBA

"De Deus não se zomba" (Gl 6,7). "Uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, invocamos o nome do Senhor nosso Deus" (Sl 19,8).

"A oração fervorosa do justo tem grande poder. Assim, Elias, que era um homem semelhante a nós, orou com insistência para que não chovesse, e não houve chuva na terra durante três anos e seis meses. Em seguida, tornou a orar e o céu deu a sua chuva e a terra voltou a produzir o seu fruto" (Tg 5,16-18).

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz


Quem fala com o coração diz a verdade!!!

Assistam, reflitam e repassem! A verdade, acima de tudo!: "
"

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vamos rir que ninguém é de ferro.

ENTERRO EM GOVERNADOR VALADARES-MG

Toda a família em Valadares se surpreendeu quando chegou de Miami um ataúde com o cadáver de uma tia muito querida.

O corpo estava tão apertado no caixão que o rosto estava colado no visor de cristal...

Quando abriram o caixão encontraram uma carta, presa na roupa com um alfinete, que dizia assim:

Queridos Papai e Mamãe.

Estou lhes enviando os restos de tia Josefa para que façam seu enterro em Valadares, como ela queria.

Desculpem por não poder acompanhá-la, mas vocês compreenderão que tive muitos gastos com todas as coisas que, aproveitando as circunstâncias, lhes envio.

Vocês encontrarão, dentro do caixão, sob o corpo, o seguinte:

12 latas de atum Bumble Bee,

12 frascos de condicionador,

12 de xampu Paul Mitchell,

12 frascos de Vaselina Intensive Care (muito boa para a pele. Não serve para cozinhar!),

12 tubos de pasta de dente Crest,

12 escovas de dente,

12 latas de Spam das boas (são espanholas),

04 latas de chouriço El Miño.

12 batons Victoria Secrets(cores sortidas),

Repartam com a família, sem brigas!

Nos pés de titia estão um par de tênis Reebok novos, tamanho 39, para o Joselito (é para ele, pois com o cadáver de titio não se mandou nada para ele, e ele ficou amuado).

Sob a cabeça há 4 pares de 'popis' novos para os filhos de Antônio, são de cores diferentes (por favor, repito não briguem!).

A tia está vestida com 15 pulôveres Ralph Lauren, um é para o Robertinho e os demais para seus filhos e netos.

Ela também usa uma dezena de sutians Wonder Bra (meu favorito), dividam entre as mulheres;

Também os 20 esmaltes de unhas Revlon que estão nos cantos do caixão. As três dezenas de calcinhas Victoria's Secret devem ser repartidas entre minhas sobrinhas e primas.

A titia também está vestida com 9 calças Docker's e 3 jeans Lee.

Papai, fique com 3 e as outras são para os meninos.

O relógio suíço que papai me pediu está no pulso esquerdo da titia.

Ela também está usando o que mamãe pediu (pulseiras, anéis, etc.).

A gargantilha que titia está usando é para a prima Rebeca, e também os anéis que ela tem nos pés.

E os oito pares de meias Chanel que ela veste são para repartir entre as conhecidas e amigas, ou, se quiserem, as vendam (por favor, não briguem por causa destas coisas, não briguem).

A dentadura que pusemos na titia é para o vovô, que ainda que não tenha muito o que mastigar, com ela se dará melhor (que ele a use, custou caro).

Os óculos bifocais, são para o Alfredo, pois são do mesmo grau que ele usa, e também o chapéu que a tia usa.

Os aparelhos para surdez que ela tem nos ouvidos são para a Carola. Eles não são exatamente os que ela necessita, mas que os use mesmo assim, porque são caríssimos.

Os olhos da titia não são dela, são de vidro. Tirem-nos e nas órbitas vão encontrar a corrente de ouro para o Gustavo e o anel de brilhantes para o casamento da Katiuska.

A peruca platinada, com reflexos dourados, que a titia usa também é para a Katiuska, que vai brilhar, linda, em seu casamento.

Com amor, sua filha

Carmem Lúcia.


PS1: Por favor, arrumem uma roupa para vestir a tia para o enterro e mandem rezar uma missa pelo descanso de sua alma, pois realmente ela ajudou até depois de morta.

Como vocês repararam o caixão é de madeira boa (não dá cupim); podem desmontá-lo e fazer os pés da cama de mamãe e outros consertos em casa.

O vidro do caixão serve para fazer um porta-retrato da fotografia da vovó, que está, há anos precisando de um novo. Com o forro do caixão, que é de cetim branco (US$ 20,99 o metro) Katiuska pode fazer o seu vestido de noiva.

Na alegria destes presentes, não esqueçam de vestir a titia para o enterro!!!

Com amor,

Carmencita.

PS2: Com a morte de tia Josefa, tia Bianca caiu doente. Façam os pedidos com moderação. Bicicleta não cabe nem desmontada e carburador de fusca, modelo 1968, aqui ninguém ouviu falar.
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Enviada por minha prima Helaine de Governador Valadares.
Obs.: Não sei se ela é parente da falecida.



sábado, 14 de agosto de 2010

Os restos mortais do Fome Zero se espalham pela cidade onde nasceu

Direto ao Ponto por Augusto Nunes – Veja Online

 

Memorial do Fome Zero (foto: André Pessoa)

Concebido pelo presidente Lula, o Programa Fome Zero nasceu em 3 de fevereiro de 2003 num palanque armado na única praça de Guaribas, interior do Piauí. Morreu dois anos depois sem ter saído do berço, mas nunca teve sepultamento cristão. Ninguém providenciou o velório, o atestado de óbito não foi expedido. Só existe a certidão de batismo, assinada pelo governador Wellington Dias e por quatro ministros que, na grande festa promovida há sete anos e meio, enxergaram no recém-nascido a cara do Brasil-Maravilha inventado pelo maior goverrnante de todos os tempos.

Depois da discurseira do governador, depois do falatório dos ministros Ciro Gomes (Integração Nacional), Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social), José Graziano (Segurança Alimentar) e Olívio Dutra (Cidades), os quase 5 mil habitantes souberam como seria, no máximo até dezembro de 2006, a vida de quem tivera a sorte de vir ao mundo no lugarejo promovido por Lula a Capital do Fome Zero. Um vidaço de Primeiro Mundo.

A cidade seria premiada com médicos, um hospital, postos de saúde, uma farmácia, escolas, esgoto, água, luz, telefone, calçamento, um hotel, uma estrada asfaltada de 53 quilômetros, um programa de fortalecimento da agricultura familiar, outro de capacitação profissional. Quem não ganhasse dinheiro no campo prosperaria na cidade como artesão ou costureira. Uma empresa do governo, Emgerpi, cuidaria exclusivamente do mundaréu de canteiros de obras. E administraria com especial carinho p Memorial do Fome Zero, colosso arquitetônico destinado a eternizar a lembrança do dia em que tudo mudou.

As coisas se arrastaram até 2005, quando o governo federal descobriu que o Bolsa-Família rendia muito mais votos, matou o Fome Zero de inanição e tentou sumir com o corpo. Não conseguiu, constatou em julho a repórter Sandra Martins, do jornal Tribuna do Piauí. A jornalista descobriu que os restos mortais da fantasia eleitoreira se espalham pela cidade iludida. E transformaram Guaribas numa prova contundente de que a visão do Brasil real é obscurecida por um país do faz-de-conta que só existe na propaganda oficial.

Passados sete anos e meio, há em Guaribas as três escolas que já existiam, um posto de saúde, um médico, nenhum hospital, três enfermeiros, nenhuma farmácia, cinco telefones públicos, uma lanchonete, uma mercearia, uma agência do Bradesco. As calçadas são contadas em metros, as ruas continuam sem pavimentação, só existe água em poucas casas, falta energia elétrica, e centenas de fossas denunciam a inexistência de tratamento de esgoto no aglomerado de 942 residências, incluídos os casebres miseráveis que o governador e os ministros prometeram erradicar.

O programa de capacitação profissional parou nas máquinas de costura que enferrujam perto da praça. A agricultura familiar nunca desceu do palanque: neste ano, a safra se resumiu a um punhado de sacos de milho. A estrada não foi pavimentada. A construção do memorial ficou no esqueleto. Esquecido pelo PAC, que entre o que não vai construir incluiu até um trem-bala, o monumento virou ruína sem ter sido inaugurado.

Como as 805 bolsas-família são insuficientes, muitos moradores engrossaram a diáspora dos nordestinos. “A população diminuiu, as pessoas estão indo embora em busca de trabalho”, lamenta o secretário de Administração da prefeitura, Edmilson Pereira Maia, que atribui o fiasco do Fome Zero ao descaso do governo federal. “Eles montaram aqui uma administração paralela e depois abandonaram tudo”, informa. O escritório ocupado pela Emgerpi está com as portas lacradas há mais de ano. O dono do imóvel, Manoel Gomes, avisa que só vai devolver a mobília e os objetos que reteve quando receber o aluguel atrasado.

Lula prometeu visitar Guaribas duas vezes. Nunca deu as caras por lá, mas importou alguns moradores para uma audiência em Brasília. Carmelita Rocha, 70 anos, uma das integrantes da comitiva, jamais soube exatamente o que foi fazer na capital, mas garante que ali viveu os melhores momentos da vida. Comeu bem, dormiu num quarto de hotel, passeou em carros de luxo. As coisas hoje ficaram muito piores.

Viúva há três meses, sustenta a própria família e a da irmã, que também enviuvou recentemente, com os R$ 400 da aposentadoria que herdou do marido, enterrado na cova rasa com o corpo envolvo numa rede. “Compro um saco de arroz, café, açúcar, massa de milho, sabão e só”, diz Carmelita. “Não estamos passando fome rachada, mas são vários dias que não temos o que comer”. Ela recorda nitidamente do comício que lhe prometeu três refeições por dia. Se conseguisse uma, Carmelita ficaria muito feliz.

Carmelita Rocha (foto: André Pessoa)

Vejam como está a rodovia que Lula prometeu em 2003 à capital do Fome Zero

Direto ao Ponto Por Augusto Nunes - Veja Online 

 

Foto: André Pessoa

Em 3 de fevereiro de 2003, liderada pelo governador Wellington Dias, a comitiva encorpada por cinco ministros e dezenas de pais da pátria baixou em Guaribas, no interior do Piauí, para a festa de lançamento do Programa Fome Zero. Concebido pelo governo Lula, o programa garantiria três refeições por dia e uma vida de Primeiro Mundo aos 200 milhões de brasileiros ─ começando pela cidade de 5 mil habitantes oficialmente promovida a Capital do Fome Zero.

Três horas de discurseira celebraram as providências que haveriam de conferir feições europeias ao lugarejo distante de Teresina mais de 600 quilômetros. “Vamos começar pelo asfaltamento da estrada”, prometeu em nome do presidente Lula o governador piauiense, sob os sorrisos aprovadores dos figurões federais e a felicidade geral da população: nada merecia mais urgência que a pavimentação dos 54 quilômetros de terra que ligavam (ou separavam) Guaribas de Caracol, o município mais próximo.

O presidente Lula exigira o asfalto, explicou Wellington Dias, porque fazia questão de aparecer por lá de carro, não a bordo de helicópteros. Em novembro de 2009, os moradores de Guaribas foram informados de que o chefe de governo enfim daria as caras na capital que nunca visitou. O comício foi cancelado quando Lula soube que não havia nada a inaugurar. Nem havia estrada asfaltada.

As promessas nunca saíram do papel. A construção do Memorial Fome Zero, iniciada em 2003, foi interrompida no ano seguinte. Ao virar ruína antes de existir, o memorial transformou-se num monumento à fantasia irresponsável. Passados sete anos e meio, a foto mostra como está a rodovia que leva à capital do Brasil do faz-de-conta que Lula inventou e Dilma Rousseff finge que enxerga.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

EM NOME DOS FATOS.

Miriam Leitão

Inflação fora de controle quem enfrentou foi o Plano Real. O acumulado em 12 meses estava em 5.000% em julho de 1994. Quando a inflação subiu em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique, pela incerteza eleitoral criada pelo velho discurso radical do PT, ficou em 12%. Ela foi reduzida pelo instrumental que o PT havia renegado. Isso é a História. O resto é propaganda e manipulação.

O PT e o governo Lula têm dito que receberam o país com descontrole inflacionário e a candidata Dilma Rousseff repetiu isso na entrevista do Jornal Nacional. O interesse é mexer com o imaginário popular que lembra do tormento da inflação. A grande vitória contra a inflação foi conquistada no governo Itamar Franco, no plano elaborado pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, como todos sabem. Nos primeiros anos do governo FH houve várias crises decorrentes, em parte, do sucesso no combate à inflação, como a crise bancária. Foi necessário enfrentar todas essas ondas para garantir a estabilização. Nada daquela luta foi fácil. A inflação havia derrotado outros cinco planos, e feito o país perder duas décadas.

Todos sabem disso. Se por acaso a candidata Dilma Rousseff andava distraída nesta época, o seu principal assessor Antonio Palocci sabe muito bem o que foi que houve. Ele ajudou a convencer os integrantes do partido a ter uma atitude mais madura e séria no combate à inflação. O PT votou contra o Plano Real e fez oposição a cada medida necessária para consolidar a nova ordem. As ideias que o partido tinha sobre como derrotar a alta dos preços eram rudimentares.

Em 2002, a inflação subiu principalmente nos dois últimos meses, após a eleição. A taxa, que havia ficado abaixo de 6% em 2000, subiu um pouco em 2001 e ficou quase todo o ano de 2002 em torno de 7%. Em outubro daquele ano, o acumulado em 12 meses foi para 8,5%. Em novembro, com Lula eleito, subiu para 10,9% e em dezembro fechou em 12,5%. É tão falso culpar o governo Fernando Henrique por aquela alta da inflação — de 12,5% repita-se, e não os 5.000% que ele enfrentou — quanto culpar o governo Lula pela queda do PIB do ano passado, que foi provocada pela crise internacional.

Recentemente, conversei com um integrante do governo Lula que, longe dos holofotes e da campanha, admitiu que essa aceleração final foi decorrente do fato de que a maioria dos empresários não acreditava que o governo Lula fosse pagar o preço de manter a estabilização. Esse foi o mérito do PT. Foi ter contrariado seu próprio discurso, abandonado suas próprias propostas, por ter percebido o valor da estabilização. Esse esforço foi liderado por Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A inflação entraria numa rota de descontrole que poderia até ter destruído o esforço feito nos oito anos anteriores se o governo Lula tivesse persistido nas suas propostas. A História foi essa e não a que a candidata Dilma Rousseff apresentou.

No caso da dívida, também a versão apresentada em palanque é diferente dos fatos. Por medo do governo Lula houve fuga de capitais e dificuldade de renovação de empréstimos a empresas brasileiras. Na negociação com o FMI, o Brasil acertou um empréstimo em que quase todas as parcelas seriam liberadas no governo Lula. Era para garantir um começo mais fácil para a nova administração. A conquista da confiança na condução econômica pela dupla Palocci-Meirelles fez com que a maior parte do dinheiro do Fundo nem fosse sacada porque os financiamentos voltaram. No final de 2008, houve de novo uma drástica suspensão do crédito externo para empresas brasileiras, mas não se pode culpar o governo Lula por isso. Como se sabe, foi a crise bancária americana e europeia. Com alguns números se pode construir versões fantasiosas, ou se ter a coragem de dizer a verdade, mesmo em época eleitoral, para não negar o mérito do passado, e mostrar o que se avançou.

Há virtudes na política econômica do começo do governo Lula. Nos últimos tempos há muitos defeitos também. Mas o importante agora é constatar que não é verdade que o país tenha crescido abaixo da média dos outros durante o governo Lula por culpa do governo anterior. O Brasil cresceu 1% em 2003. Depois cresceu forte em 2004. Nos anos de 2005 e 2006 o PIB variou 3,16% e 3,9% e o mundo crescia bem mais. Não é possível responsabilizar o governo anterior por isso, evidentemente. Depois de crescer 6% e 5% em 2007 e 2008, o Brasil teve uma pequena queda do PIB, de 0,19%, no ano passado, por causa da crise externa e não de qualquer erro do governo Lula. Um número melhor do que o da Rússia, e abaixo dos outros Brics.

Enfim, a História é o que a História é. Essas distorções da realidade de época de campanha são tentativa de manipulação da opinião pública. Ofendem a memória e a inteligência das pessoas. Seria preferível que a candidata governista falasse da boa notícia de que em 2010 o país cresce forte, com inflação baixa, e criando emprego. E não que menosprezasse as vitórias de países menores ou que falsificasse tão grosseiramente os fatos recentes da História do Brasil.

INCLUSÃO SOCIAL

Cenário: Pai trabalhador e filho estudante dentro do carro, a caminho da escola.
 
Filho: - Pai, já que roubaram o som do carro vamos conversar um pouco?
Pai: - Claro, filho!
Filho: - Pai, o que é inclusão social?
Pai: - Bom, filho, é que muitas pessoas têm muito e outras nada têm, a inclusão consiste em dar direitos iguais a todos.
Filho: - Ah, tá!; os integrantes do MST são um exemplo de excluídos né?
Pai: - Isso, filho.
Filho: - Pai, o que eu devo ser quando crescer?
Pai: - Bom, primeiro escolha uma profissão que você goste, depois estude muito, mas muito mesmo e depois trabalhe muito mais, dia e noite, só assim
você será alguém na vida.
 
Atrasados para a escola, o pai pára sobre a faixa de pedestres e é multado, além de ser maltratado pelo policial.
 
Filho: - Pai, o que houve?
Pai: - Fomos multados, filho.
Filho: - Mas por que?
Pai: - Porque estávamos bloqueando a passagem filho.
 
Um pouco adiante o trânsito pára; a marcha do MST está passando.
 
Filho: - Pai, por que eles estão bloqueando nosso caminho?
Pai: - É a marcha do MST, filho.
Filho: - Ah tá, e aqueles policiais estão multando eles, né?
Pai: - Não, filho, estão escoltando eles.
Filho: - Ué, mas nós estávamos bloqueando a passagem e fomos multados e maltratados, e eles estão bloqueando tudo e são escoltados?
Pai: (silêncio)
Filho: - E o que é aquilo ali?
Pai: - É o refeitório deles.
Filho: - Ah, sei, lá eles gastam aqueles vales-refeição igual ao seu, que a pessoa ganha da empresa onde trabalha.
Pai: - Não, filho, o governo paga a alimentação pra eles.
Filho: - Ué, e por que não paga pra você também?
Pai: (silêncio)
Filho: - E aquela ambulância lá? Ah, já sei! é por causa do plano de saúde que eles pagam, como você paga, pra poder ter assistência médica, né?
Pai: - Não, filho, eles não pagam plano de saúde.
Filho: - Ué, não entendi.
Pai: - É o governo que está pagando essas ambulâncias que você está vendo.
Filho: - E por que você paga plano de saúde então?
Pai: (silêncio)
Filho: - Por que a maioria deles está com rádio?
Pai: - Porque o governo doou 10.000 radinhos pra eles se comunicarem.
Filho: - Pôo! e a gente sem som no carro, e você fala que precisa trabalhar pra comprar outro; vamos pedir pro governo então.
Pai: - Eles não nos dariam, filho.
Filho: - Ah, já sei. Você reclama que paga 40% de tudo que ganha pro governo, mas com certeza eles pagam muito mais né? Eles têm todas essas
regalias.
Pai: - Não, filho, eles não pagam nada.
Filho: - Como assim?
Pai: (pensativo, em silêncio).
Filho: - Pai, quero parar pra falar com eles.
Pai: - Não adianta, filho, eles só falam através de assessor de imprensa.
Filho: - Que legal! vamos contratar um assessor de imprensa pra nós, pai?
Pai: - Filho, isso é muito caro, eu precisaria trabalhar o triplo do que trabalho pra poder pagar um assessor de imprensa.
Filho: - Mas eles nem trabalham e têm?
Pai: - Mas é o governo que paga filho.
Filho: - Pai, não foram eles que invadiram um prédio público e fizeram a maior bagunça?
Pai: - Foram sim, filho.
Filho: - E o que aconteceu com eles:
Pai: - Nada, filho.
Filho: - E por que eu fiquei de castigo e levei uma baita bronca porque quebrei a lâmpada do poste jogando bola?
Pai: - Porque você tem que cuidar e respeitar o patrimônio público, filho.
Filho: - E eles não precisam?
Pai: (silêncio)
Filho: - Pai! vamos com eles?
Pai: - Claro que não, filho, você precisa estudar e eu preciso trabalhar.
Filho: - O QUE? PODE PARAR! EU VOU COM ELES, APRENDI QUE OS EXCLUÍDOS SOMOS NÓS; EU QUERO A MINHA INCLUSÃO SOCIAL JÁ!!!
 

Os Presbibolhas

Acompanho o Epaminondas desde a infância, quando foi batizado em uma igreja presbiteriana. Ele cresceu participando da Escola Dominical, dos cultos e das sociedades internas. Seu casamento com Felícia, uma jovem também nascida e criada no presbiterianismo, foi um momento de muita alegria. Depois ele se mudou para uma cidade distante, no litoral nordestino.

Visitando uma comunidade na Internet, deparei-me com uma página do Epaminondas e pude ler sua apresentação:
“Sou o Epá, casado com a Felí e participamos da Comunidade Djisus Live, uma galera de fé muito manêra. Lá tem adoração trance, muito poder e descontração. Jesus é mó legal, ser cristão é o máximo!”

Pensei no Epaminondas que conheci, integrando as sociedades internas da igreja. Agora ele sofre de reducionite comunicativa; tem dificuldade em escrever ou pronunciar palavras inteiras e sem diminutivo. Assumiu uma nova igreja, voltada para o louvor, dança litúrgica e sinais maravilhosos. O discipulado bíblico é descrito por ele de forma profunda: “mó legal!”. Algo me diz que o Epá, como ele mesmo se denomina, mudou muito mesmo.

Ou será que ele não mudou? Quem sabe ele era membro da Igreja Presbiteriana do Brasil apenas nominalmente, sem compreender, experimental e profundamente, as doutrinas da graça. Quem sabe ele participava dos cultos sem desfrutar, de fato, de Cristo na liturgia. Quem sabe ele comungava da Ceia sem a ciência de seu significado e poder provedor. Agora ele estava assumindo uma vida “adulta”, escolhendo uma igreja de acordo com suas preferências. As igrejas presbiterianas da localidade não o atraíram. Ele poderia, finalmente, filiar-se à Comunidade Djisus Live.

Concluo que existem presbiterianos e presbibolhas. Epaminondas era um presbibolha. O tempo passou e sua fé, ao invés de desenvolver-se, regrediu. Ele não amadureceu, assumiu a adultolescência.

O que distingue um presbiteriano de um presbibolha?
De modo geral, existem diferenças relacionadas à apuração do apetite espiritual. Presbibolhas gostam de algodão doce religioso e presbiterianos preferem alimento nutritivo. Em termos litúrgicos, presbiterianos apreciam adoração densa, possuidora de conteúdo sólido. Presbibolhas se divertem em reuniões que reproduzem ambientes de karaokê ou então, eventos de impacto emocional. Outra diferença é perceptível em termos de expectativa ministerial. Presbiterianos destacam o serviço humilde, presbibolhas amam megarealizações. Por fim, ambos são diferentes em termos de estabilidade eclesiástica. Presbiterianos, quando se mudam para uma cidade em que não há presbiterianismo ou igrejas reformadas, estabelecem novas igrejas presbiterianas. Presbibolhas mudam de denominação com muita facilidade, não possuem raízes ou convicções profundas.

Sintomas do Presbibolhismo
Os presbibolhas existem, estão presentes em qualquer igreja presbiteriana e precisam ser alertados. Isso significa que o presbibolhismo é uma doença que pode ser curada. Seu “vírus”, presbybolhubum descerebratis, age velada e poderosamente, mas pode ser identificado e eliminado no nascedouro. Tudo depende da atenção adequada aos sintomas, por isso, acompanhe a descrição.

A pessoa percebe que discorda de alguma doutrina da Escritura, tal como é ensinada nos Símbolos de Fé. Não se trata de uma discordância passageira, que se dissipa com o estudo bíblico; o presbibolha sente um mal-estar crescente, apesar de fazer parte das fileiras calvinistas, ele tem náuseas quando é apresentado aos ensinos sobre a depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, vocação eficaz e perseverança dos santos. Ele não aceita as doutrinas do batismo (aspersão e batismo infantil) e, quem sabe, o ensino bíblico sobre a forma de governo da igreja. Enfim, ele está na igreja presbiteriana mas não assume, visceralmente, a teologia presbiteriana. O vírus produz um modo arminiano de ver a Escritura.

Para o presbibolha, inicialmente, a doutrina é um detalhe sem importância da vida da igreja até que, finalmente, torna-se até mesmo desagradável ou repulsiva. Ele se identifica como presbiteriano mas não crê como presbiteriano, sendo muito mais batista, neopentecostal ou pentecostal. Este é o sintoma número um.

O próximo sintoma surge, simultaneamente, nos ouvidos, coração e quadris. Os primeiros sentem-se embevecidos com música bem ritmada. O segundo se sente amortecido com os cânticos introspectivos e hinos tradicionais. Os últimos gostam de sacolejar. O vírus do presbibolhismo torna o crente dançante e avesso à liturgia tradicional.

É preciso esclarecer que o presbibolha não é um bodelha. Um bodelha não é crente, mas um ímpio disfarçado. O presbibolha é crente genuíno que ostenta crenças e gostos litúrgicos e ministeriais que não se encaixam na fé e prática reformadas.

Ele está na Igreja Presbiteriana sem sentir-se, de fato, presbiteriano. Conseqüentemente, ele administra uma carga significativa de frustração e desânimo, enquanto reúne-se com os presbiterianos.

Outro esclarecimento vital: todos nós podemos apresentar, vez por outra, sintomas do presbibolhismo. Assim como um resfriado, tudo pode passar depois de algumas semanas. Se os sintomas permanecem, devem ser reconhecidos e tratados.

Por que o presbibolhismo deve ser tratado e quais as formas de tratamento? Como lidar com os irmãos presbibolhas queridos que ainda estão conosco? Como lidar com o amado Epá já transferido de denominação? E por último, qual a relevância, afinal, do tratamento deste assunto para a glória de Deus e edificação dos santos? Teremos de continuar lendo para encontrar as respostas.

Como Lidar com o Presbibolhismo
Por que o presbibolhismo deve ser tratado e quais as formas de tratamento, como lidar com os irmãos presbibolhas queridos que ainda estão conosco? Qual a relevância desse assunto para a glória de Deus e edificação dos santos?

Logicamente, nem todos precisam buscar a cura do presbibolhismo. Alguns se sentirão confortáveis com ele e nem mesmo o considerarão uma enfermidade. Outros, incomodados, desejarão um tratamento. Para esses, nada melhor do que porções cavalares de doutrina da graça. Leituras devocionais dos Evangelhos, dos Salmos, do profeta Isaías, das cartas paulinas, dos símbolos de fé, do Catecismo de Heidelberg e da Declaração de Cambridge, regadas com oração e louvor sincero, despertarão a alma para a preciosidade do calvinismo. Doses diárias do amado autor das Institutas, de Spurgeon e Hodge produzem pensamentos cristalinos e, se for possível, gotas de Jonathan Edwards enchem o coração de doçura e desejo de santidade. Não há quem continue sendo presbibolha depois de uma terapia de choque como essa.

Quanto aos que desejam continuar presbibolhas, continuo amando-os em Cristo. Entendo que convicções não podem ser forçadas. O catolicismo romano perseguiu os crentes reformados e estes perseguiram os anabatistas. Os luteranos discordam dos metodistas, igrejistas com propósitos discutem com os gedozistas e ministérios de desenvolvimento natural da igreja. Eu gostaria de que todos pensassem como eu, mas concluo que o mundo seria muito chato se fosse assim. De fato, a graça de Deus é multiforme (Ef 3.10). Sem abrir mão de minha confissão calvinista, sempre há algo precioso a aprender com todos os irmãos que servem ao Senhor Jesus Cristo (Jo 13.35; Rm 1.11-12).

Então, mantenho comunhão com o Epá. Acho o ministério da Djisus Live uma esquisitice só, mas oro para que o querido Epá seja confirmado no Evangelho e que nos encontremos no céu, onde as denominações não mais existirão e todos serão presbiterianos (desculpem-me, não pude evitar essa piadinha inocente! :-D).

Por fim, desejo que tais irmãos sejam felizes. Eu não agüentaria estar em uma igreja presbiteriana sem ser presbiteriano; penso que o cristão deve vestir a camisa de seu ministério ou denominação, com excelência e paixão que nasce de convicções profundas. Imagine um membro da Assembléia de Deus contrário ao dom de línguas ou um batista que discorda da imersão. Simplesmente não dá pra ser assim. No mundo todo, igrejas que crescem contam com o apoio de cristãos que se identificam com uma determinada visão ministerial e se entregam por ela. Presbibolhas precisam ser felizes, servindo com alegria (Sl 100.2). Eles podem encontrar essa felicidade curando-se do presbibolhismo ou seguindo o exemplo do irmão Epá.

Rev. Misael Batista do Nascimento (Publicado no Boletim da Igreja Presbiteriana Central do Gama - DF)
Lista Cristãos Reformados




quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Porque não voto em Dilma


Há quem diga que política não se discute. Penso o contrário. É por falta de discussão que, em grande parte dos casos, temos políticos de qualidade duvidosa no exercício do poder, eleitos por eleitores que sequer pararam para conhecer as propostas de seus candidatos e até mesmo venderam o voto – a arma mais eficaz numa democracia – por míseros centavos.

Quero discutir a eleição presidencial. E o que estiver implícito nessa discussão também caberá de forma implícita como instrumento de análise das eleições em outros níveis. Já decidi em definitivo que não darei o meu voto para Dilma Rousseff. Acredito que esta seja a hora de interrompermos a governança do PT sobre o nosso país antes que seja tarde demais. 

Dilma é PT. E o PT é Dilma.

Não creio que, como quis parecer, a “Carta aos Brasileiros” apresentada pelo PT antes da eleição de Lula em 2002 tenha sido um instrumento de mudança na política do Partido. Mas foi ela que permitiu a eleição de Luís Inácio Lula da Silva e deixou aberto o caminho para a sua reeleição. Durante os quase oito anos de mandato ele se equilibrou sob dois eixos: o bolsa família e a elite financeira.

Com o bolsa família agregou milhões de famílias pobres ao mercado de consumo com uma renda mínima e, com isso, garantiu um eleitorado cativo com o qual espera contribuir para eleger a sua sucessora. Só que o bolsa família é política compensatória, que se aplica para minorar situações temporárias. É preciso ter porta de entrada e também porta de saída. Ou seja, as políticas de governo têm de criar condições para que essas pessoas sejam absorvidas pelo mercado e possam gerar a sua própria renda sem continuarem eternamente dependentes. Mas não é o que acontece. É nesse eixo que Lula mantém uma de suas pernas.

A elite financeira, por outro lado, nunca lucrou tanto como durante os dois mandatos de Lula. Os eventuais discursos do presidente contra os banqueiros são apenas uma forma de blindagem contra as críticas de favorecimento a essa elite. Pesquisem os balanços das grandes empresas e dos grandes bancos e verão que “nunca antes na história deste país” tiveram as suas contas tão abarrotadas. Esse é o outro eixo em que Lula mantém a outra perna.

Enquanto isso, sob os olhares de contemporização dessa elite empanturrada e o aplauso de famílias que merecem o que recebem, pelo estado de extrema pobreza, mas deveriam também ser preparadas para o mercado de trabalho mediante políticas consistentes, o PT foi-se aboletando da coisa pública, aparelhando o estado e impondo com sutileza o seu programa partidário, que nunca mudou. É óbvio que não se fala mais em revolução. A tática é outra. É usar a democracia para depois solapá-la.

A natureza autoritária do PT apareceu, por exemplo, na tentativa de criar o Conselho Federal de Jornalismo para veladamente impor a censura nos meios de comunicação. Ela fica patente no PLC 122/06, que, sob o argumento de proteger o movimento homossexual, usa-o como “inocente útil” (será?) para tentar restringir a liberdade de expressão. Suas garras totalitárias ficam bem explícitas no PNDH 3, decreto já assinado pelo presidente da república, onde pretende impor o controle social dos meios de comunicação (com o mesmo propósito já descrito acima), banir os símbolos religiosos dos locais públicos e legalizar o aborto, entre outros penduricalhos, acrescido agora pelo projeto de lei enviado ao Congresso Nacional pelo presidente Lula com a finalidade de punir os pais que disciplinam os filhos com algumas palmadas. O conjunto da obra significa, em última análise, retirar toda e qualquer liberdade, socializar a nação e impor-nos unilateralmente o controle social do estado. Tudo isso está no programa do partido, aprovado durante o seu 3º Congresso.

A eleição de Dilma só dará continuidade ao processo. Mas dirá alguém: em relação ao aborto, ela se comprometeu com “a manifestação da vida em todos os seus aspectos” por ocasião de sua fala aos líderes evangélicos capitaneados pelo bispo Manoel Ferreira. O Lula fez a mesma coisa nas eleições anteriores. Nem por isso a carruagem parou. “Mas o bispo fez com ela um acordo em que o tema fique restrito ao congresso”, dirá outro. Mas que vantagem há nisso, se todas as leis precisam tramitar por ali? É simplesmente um acordo para inglês ver, pois a pressão foi, é e continuará sendo pesada, mesmo no próximo mandato presidencial, para que não só o aborto, mas outras leis restritivas à liberdade venham a ser aprovadas no Congresso Nacional.

Por outro lado, Lula se alia ao que há de pior na política internacional. Faz jogo de cena, mas na América Latina os seus aliados preferenciais são Evo Morales (Bolívia), Samuel Correa (Equador), Hugo Chavez (Venezuela) e Fidel Castro. Em visita a Cuba, ficou contrariado quando lhe cobraram condenar o regime cubano pela morte, em razão de uma greve de fome, do preso político Orlando Zapata Tamayo. Pelo mundo afora é amigo de regimes totalitários e aplaude Ahmadinejad, que “deseja” a paz mundial desde que Israel seja destruído.

Isso para não falar da ligação do PT com as Farcs. Lembro-me que lia Olavo de Carvalho no Globo e gostava imensamente dos seus textos, mas achava estranho quando falava do Foro de São Paulo, da participação das Farcs e das forças mais representativas da esquerda na América Latina. Minha estranheza tinha sentido. Nenhum órgão de imprensa se referia ao assunto. Pesquisava os jornais, revistas e outros meios sem que houvesse sequer nenhuma menção. Parecia teoria conspiratória. De repente, Olavo de Carvalho desapareceu do Globo. Fui encontrá-lo no Mídia sem Máscara, que, por sinal, publicou neste dia 3 postagem de sua autoria sobre o tema (clique aqui). Mas a verdade, para encurtar a história, é que a grande imprensa não pôde mais esconder o fato. As Farcs fazem parte do Foro de São Paulo desde a sua fundação em 1990, com assento permanente, e tem ligações históricas com o PT. O pior é que todo mundo sabe que as Farcs se sustentam com o narcotráfico. Mas para evitar prejuízos eleitorais há uma tentativa oblíqua de fazer parecer que o PT nunca teve vínculos com esse grupo de guerrilha, que tinha negócios (ou ainda tem) até com Fernandinho Beira Mar.

Participei de um evento em Brasília no qual discursou o senador Magno Malta. Como o tema era o PNDH 3, lá pelas tantas ele afirmou que precisávamos perguntar a Dilma qual era a sua posição sobre o tema. Fiquei decepcionado. Tive a oportunidade de falar também na mesma ocasião, mas infelizmente o parlamentar já se retirara, como, infelizmente, costuma acontecer nessa arena. Comecei dizendo que não precisávamos fazer qualquer pergunta à então ministra, contradizendo o senador, já que o PNDH 3 tinha a sua chancela, pois saíra diretamente do forno da Casa Civil para receber o autógrafo do presidente. Ali já estava tudo quanto pensava, como também constava da primeira versão de seu programa de governo por ela rubricado e apresentado ao TSE.

Por que não voto em Dilma? Pelas razões que acabo de expor. Ela é a continuidade de Lula ou como o próprio a designou: o seu pseudônimo. Henrique Afonso (evangélico) e Luiz Bassuma (espírita) foram punidos pelo PT por serem contrários a legalização do aborto. Essa norma não mudou. Reconheço que a Dilma de hoje não é a mesma que fez parte de grupos terroristas. Há uma mudança em sua trajetória. Mas essa mudança é de forma, não de conteúdo. Agora, ao invés de fazer uso das armas, o instrumento é a própria democracia, como já mencionei. Dilma, sem dúvida, cumprirá o programa do PT. O ritmo é que poderá alterar-se de acordo com os ventos. Ora poderá ser rápido, se favoráveis. Ora lento, se contrários. Mas que a nau singra na direção do totalitarismo, se não houver mudanças de rumo, disso não há dúvida.

Postado por Pastor Geremias Couto


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CARTA AO REVERENDO VAN DIESEL

[Mais uma carta fictícia. Não existe o Reverendo Van Diesel, pelo menos não com este nome...]

[Mais uma carta fictícia. Não existe o Reverendo Van Diesel, pelo menos não com este nome...]

Prezado Reverendo Van Diesel,

Obrigado por ter respondido minha carta. Você foi muito gentil em responder minhas perguntas e explicar os motivos pelos quais você costuma ungir com óleo os membros de sua igreja e os visitantes durante os cultos, além de ungir os objetos usados nos cultos.

Foto do armário do Rev. Van Diesel
óleo santo importado de Israel
Eu não queria incomodá-lo com isto, mas o Severino, membro da minha igreja que participou dos seus cultos por três domingos seguidos, voltou meio perturbado com o que viu na sua igreja e me pediu respostas. Foi por isto que lhe mandei a primeira carta. Agradeço a delicadeza de ter respondido e dado as explicações para sua prática.

Sem querer abusar de sua gentileza e paciência, mas contando com o fato de que somos pastores da mesma denominação, permita-me comentar os argumentos que você citou como justificativa para a unção com óleo nos cultos.

Você escreveu, "A unção com óleo era uma prática ordenada por Deus no Antigo Testamento para a consagração de sacerdotes e dos reis, como foi o caso com Arão e seus filhos (Ex 28:41) e Davi (1Sam 16:13). Portanto, isto dá base para se ungir pessoas no culto para consagrá-las a Deus." Meu caro Van Diesel, nós aprendemos melhor do que isto no seminário presbiteriano. Você sabe muito bem que os rituais do Antigo Testamento eram simbólicos e típicos e que foram abolidos em Cristo. Além do mais, o método usado para consagrar pessoas a Deus no Novo Testamento para a realização de uma tarefa é a imposição de mãos. Os apóstolos não ungiram os diáconos quando estes foram nomeados e instalados, mas lhes impuseram as mãos (Atos 6.6). Pastores também eram consagrados pela imposição de mãos e não pela unção com óleo (1Tim 4.14). Não há um único exemplo de pessoas sendo consagradas ou ordenadas para os ofícios da Igreja cristã mediante unção com óleo. A imposição de mãos para os ofícios cristãos substituiu a unção com óleo para consagrar sacerdotes e reis.

Você disse que "Deus mandou Moisés ungir com óleo santo os objetos do templo, como a arca e demais utensílios (Ex 40.10). Da mesma forma hoje podemos ungir as coisas do templo cristão, como púlpito, instrumentos musicais e aparelhos de som para dedicá-los ao serviço de Deus. Eu e o Reverendo Mazola, meu co-pastor, fazemos isto todos os domingos antes do culto." Acho que aqui é a mesma coisa que eu disse no parágrafo anterior. A unção com óleo sagrado dos utensílios do templo fazia parte das leis cerimoniais próprias do Antigo Testamento. De acordo com a carta aos Hebreus, estes utensílios, bem como o santuário onde eles estavam, “não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma” (Hb 9.10). Além disto, o templo de Salomão já passou como tipo e figura da Igreja e dos crentes, onde agora habita o Espírito de Deus (1Co 3.16; 6.19). Não há um único exemplo, uma ordem ou orientação no Novo Testamento para que se pratique a unção de objetos para abençoá-los. Na verdade, isto é misticismo pagão, puro fetichismo, pensar que objetos absorvem bênção ou maldição.

Você também argumentou que “Jesus mandou os apóstolos ungir os doentes quando os mandou pregar o Evangelho. Eles ungiram os doentes e estes ficaram curados (Mc 6.13).” Nisto você está correto. Mas note o seguinte: (1) foi aos Doze que Jesus deu esta ordem; (2) eles ungiram somente os doentes; (3) e quando ungiam, os enfermos eram curados. Se você, Van Diesel, e seu auxiliar Mazola, curam a todos os doentes que vocês ungem nos cultos, calo-me para sempre. Mas o que ocorre? Vocês ungem todo mundo que aparece na igreja, crianças, jovens, adultos e velhos... Você fica de um lado e o Mazola do outro, e as pessoas passam no meio e são untadas com óleo na testa, gente sadia e com saúde. Se há enfermos no meio, eles não parecem ficar curados. Pelo menos o membro da minha igreja que esteve ai por três domingos seguidos não viu nenhum caso de cura. Ele me disse que você e o Mazola ungem o povo para prosperidade, bênção, proteção, libertação, etc. É bem diferente do que os apóstolos fizeram, não é mesmo?

Unção de partes íntimas? ..
Fala sério, mano!
Quando eu questionei a unção das partes íntimas que você faz numa reunião especial durante a semana, você replicou que “a unção com óleo sagrado e abençoado é um meio de bênção para as pessoas com problemas de esterilidade e se aplicado nas partes íntimas, torna as pessoas férteis. Já vi vários casos destes aqui na minha igreja.” Sinceramente, Van Diesel, me dê ao menos uma prova pequena de que esta prática tem qualquer fundamento bíblico! Lamento dizer isto, mas dá a impressão que você perdeu o bom senso! Eu me pergunto por que seu presbitério ainda não tomou providências quanto a estas práticas suas. Deve ser porque o presidente, Reverendo Peroba, seu amigo, faz as mesmas coisas.

Seu último argumento foi que “Tiago mandou que os doentes fossem ungidos com óleo em nome de Jesus (Tg 5.14).” Pois é, eu não teria problemas se os pastores fizessem exatamente o que Tiago está dizendo. Note nesta passagem os seguintes pontos.

  • A iniciativa é do doente: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor."
  • Ele chama “os presbíteros da igreja” e não somente o pastor.
  • O evento se dá na casa do doente e não na igreja.
  • E o foco da passagem de Tiago, é a oração da fé. É ela que levanta o doente, “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5.15).

Ou seja, não tem como usar esta passagem para justificar o “culto da unção com óleo santo” que você faz todas as quintas-feiras e onde unge quem aparece. Não há confissão de pecados, não há quebrantamento, nada do que Tiago associa com esta cerimônia na casa do doente.

Quer saber, Van Diesel, eu até que não teria muitos problemas se os presbíteros fossem até a casa de um crente doente, que os convidou, e lá orassem por ele, ungindo com óleo, como figura da ação do Espírito Santo. Se tudo isto fosse feito também com um exame espiritual da vida do doente (pois às vezes Deus usa a doença para nos disciplinar), ficaria de bom tamanho. E se houvesse confissão, quebrantamento, mudança de vida, eu diria amém!

Mas até sobre esta unção familiar eu tenho dúvida, diante do uso errado que tem sido feito da unção com óleo hoje. De um lado, há a extrema unção da Igreja Católica, tida como sacramento e meio de absolvição para os que estão gravemente enfermos e se preparam para a morte. Por outro, há os abusos feitos por pastores evangélicos, como você. O crente doente que convida os presbíteros para orarem em sua casa e ungi-lo com óleo o faz por qual motivo? Ungir com óleo era comum na cultura judaica e oriental antiga. Mas entre nós...? Será que este crente pensa que a unção com óleo tem poderes miraculosos? Será que ele pensa que a oração dos presbíteros tem um poder especial para curar? Se ele passa a semana assistindo os programas das seitas neopentecostais certamente terá idéias erradas sobre unção com óleo. Numa situação destas de grande confusão, e diante do fato que a unção com óleo para enfermos é secundária diante da oração e confissão de pecados, eu recomendaria grande prudência e discernimento.

Mas, encerro por aqui. Mais uma vez, obrigado por ter respondido à minha primeira carta e peço sua paciência para comigo, na hora de ler meus contra-argumentos.

Um grande abraço,

Augustus

PS: Ah, o Reverendo Oliveira e o Presbítero Gallo, seus conhecidos, estão aqui mandando lembranças. Eles discordaram veementemente desta minha carta, mas fazer o quê...?

PS2: Desculpe ter publicado a foto que o Severino acabou tirando daquele seu armário no gabinete pastoral... ele não resistiu.

Autor: Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]