Google+ Álem M. Martins: Carta Aberta ao Governador Tarso

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Carta Aberta ao Governador Tarso

 

por Carla Rojas Braga,

quarta, 6 de abril de 2011

Prezado governador Tarso:
Fiquei muito surpresa e triste com sua manifestação, nesta quarta feira, a respeito do consumo de maconha. Pareceu-me, com todo o respeito, sr .governador, que suas colocações deram a entender que essa droga tão terrível não faz mal à saúde. Certamente, o sr. não teve a intenção de promover o consumo de maconha, e talvez esteja um tanto desinformado a respeito do assunto, mas, talvez, sem querer, tenha estimulado o uso da droga.


Por isso, tomo a liberdade aqui, como cidadã e psicóloga de colocar-lhe algumas questões.


Com o uso contínuo de maconha, alguns órgãos, como o pulmão, passam a ser afetados. Devido à contínua exposição com a fumaça tóxica da droga, o sistema respiratório do usuário começa a apresentar problemas como bronquite e perda da capacidade respiratória. Além disso, por absorver uma quantidade considerável de alcatrão presente na fumaça de maconha, os usuários da droga estão mais sujeitos a desenvolver o câncer de pulmão.


O consumo da maconha também diminui a produção de testosterona. A testosterona é um hormônio masculino responsável, entre outras coisas, pela produção de espermatozoides. Portanto, com a diminuição da quantidade de testosterona, o homem que consome continuamente maconha apresenta uma capacidade reprodutiva menor.


Os efeitos psíquicos são os mais variados, a sua manifestação depende do organismo e das características da erva consumida. As sensações ruins mais comuns são angústia, desespero, pânico e letargia. Ocorre ainda uma perda da noção do tempo e espaço além de um prejuízo na memória e latente falta de atenção. Podem ocorrer as alucinações auditivas e delírios persecutórios.


Em longo prazo o consumo de maconha pode reduzir a capacidade de aprendizado e memorização, além de passar a apresentar uma falta de motivação para desempenhar as tarefas mais simples do cotidiano. O uso de maconha pode lesar o cérebro, e, em um cérebro em formação, como o de um jovem, causa morte de neurônios, especialmente os do córtex pré frontal (responsável pelo juízo crítico) e do hipocampo, este responsável pela memória e aprendizado. O uso de maconha pode, também, levar ao desenvolvimento de doenças mentais graves, como a esquizofrenia.


Se há uma lesão em um cérebro jovem, haverá um cérebro adulto sub desenvolvido, e, até, de tamanho menor. Isso, no mínimo, é um problema de saúde pública. Além disso, a maioria dos usuários de crack é ou foi usuária de maconha. A maioria dos crimes, atualmente, é cometida por usuários de drogas, especialmente, o crack. Grande parte dos usuários de maconha, infelizmente, provavelmente tornar-se-á usuária de crack, uma vez que é sabido que os traficantes têm misturado farelo de crack à mistura chamada de maconha, que já deixou de ser uma erva pura há muito tempo, para conseguirem mais clientes para o consumo de crack.


Respeitosamente, governador, não preciso lembrar-lhe que, como autoridade máxima do Estado, suas colocações públicas têm um enorme impacto sobre a população, uma vez que o sr. serve de referência e modelo para o povo, principalmente para os jovens gaúchos. Seria algo assim como uma figura paterna. Não acho, da mesma forma, que um pai deveria estar dizendo aos filhos que nunca soube de ninguém que tenha matado por uso de maconha. Seria um pai desinformado e irresponsável. Só para lembrar de um caso, podemos recordar o crime de Suzane von Richtofen. As informações da justiça dizem que ela e os irmãos Cravinhos, seus cúmplices, depois que começaram a fumar maconha se tornaram pessoas completamente diferentes, a ponto de assassinaram cruelmente seus pais, com o objetivo de receber uma herança. "Segundo o advogado, Daniel Cravinhos "escravizava" Suzane e foi o responsável por seu envolvimento com drogas como maconha — que consumia frequentemente — e ecstasy. Ele diz que Daniel não queria usar preservativos e obrigava Suzane a tomar injeções mensais de anticoncepcionais, que a desagradava profundamente." (fonte: Wikipédia, mídia da época).


Portanto, caro governador, por favor, repense suas posições a respeito do assunto, e ajude nossos jovens a se protegerem contra o consumo de drogas tão nocivas. O futuro do RS e do mundo depende dessas cabeças.

CARLA ROJAS BRAGA
PSICÓLOGA

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