Google+ Álem M. Martins: Inversão de valores:

quinta-feira, 11 de março de 2010

Inversão de valores:

Essa veio de LilicaSilva por Email

Vida de pai está cada vez mais difícil. Uma simples conversa com o filho pequeno pode gerar perplexidade. O diálogo de João Pedro com seu filho Wilkson, de 10 anos, pode servir como prova desse fosso entre as gerações.
         

- Que você vai ser quando crescer, filho?

          - Presidente da República, pai.

- Puxa, filho, que legal. Mas por quê?

         - Pra não precisar estudar.

- Não, filho, não é bem assim. Precisa estudar muito.

          - Então quero ser vice-presidente.

- Vice, filho? Por quê?

          - Pra não precisar estudar. O José de Alencar também só foi até a quinta série primária. Já posso parar.

  - Não é assim, filho. Ele trabalhou muito e aprendeu.

          - Pai, todo mundo que se dá bem não estudou: o presidente, o vice, a Xuxa, o Kaká, o Zeca Pagodinho...

- É que eles têm um talento...

          - Ah, entendi, estudar é para quem não tem talento?

- Não, filho, pelo amor de Deus. Artista é diferente.

         - O presidente e o vice não são artistas.

- Não, quer dizer, o presidente, de certo modo, até é.

          - Se eu estudar, vou ganhar mais do que o Kaká?

- Menos.

          - Ah, é? Então quero ir já para a escolinha.

- Você já está numa boa escola, filho.

          - Quero ir pra escolinha de futebol.

- Não, filho, você precisa estudar muito. A escola abre caminhos para as pessoas. Pode-se viver dignamente.

          - Acho que vou querer ser corrupto.

- Meu Deus, filho, não diga isso nem de brincadeira.

          - Na TV disseram que ninguém se dá mal por causa da corrupção e que tudo sempre termina em pizza. Adoro pizza. Quando for corrupto, pedirei só de quatro queijos.

- Ser corrupto é muito feio, meu filho.

          - Ué, pai, se é feio assim, por que Brasília está cheia deles e quase todos conseguem ser reeleitos?

- É complicado de explicar, Wilk. Mas isso vai mudar.

          - Quero ser corrupto e praticar nepotismo.

- Cale a boca, filho, de onde tira essas barbaridades?

         - É só olhar televisão, pai. O Sarney pratica nepotismo e é presidente do Senado. Ninguém pode mexer com ele.

- Mas você sabe o que é nepotismo, filho?

         - Sei. É empregar os parentes da gente.

- E você quer fazer isso?

          - Claro. Assim ia acabar com os vagabundos da família.

- Filho, você precisa ter bons valores. Pense numa profissão, numa coisa honesta e que seja respeitada. Não quer ser médico, dentista ou, sei lá, engenheiro?

          - Não. De jeito nenhum. To fora, pai!

- Mas por que, filho?

         - Eles nunca vão ao Faustão.

- Isso não tem importância, filho. Que tal bombeiro?

          - Vou querer ser astronauta ou jornalista.

- Hummm... Jornalista? Por que mesmo, filho?

         - Não precisa mais ter diploma pra ser jornalista.

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