Google+ Álem M. Martins: Nem tudo são flores nos canteiros do PT

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nem tudo são flores nos canteiros do PT

PT de Minas diverge sobre Dilma

Sandra StarlingStarling critica imposição de Lula; Virgílio responde que houve debate

Érica Toledo Jornal O TEMPO

Especial para O Tempo

De um lado do debate, um deputado que está cumprindo seu quarto mandato na Câmara Federal. Do lado oposto, uma sindicalista, deputada estadual e duas vezes deputada federal. Virgílio Guimarães (PT-MG) e Sandra Starling passaram a declarar em público, opiniões e críticas divergentes em relação à pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República.

Fundadores do PT em Minas, os dois chegaram a disputar juntos, em 1985, a Prefeitura de Belo Horizonte, ele na cabeça da chapa e ela como vice. Agora, os companheiros, por meio de cartas e artigos discutem e criticam os posicionamentos antagônicos.

Starling, escreveu em sua coluna, no jornal O TEMPO, que não fará campanha pela ministra porque a candidatura dela teria sido imposta por Lula. "O PT ficou muito pragmático, eu não engulo esse prato feito, eu sigo o pensamento democrático que o meu partido tinha", afirmou.

A posição da cientista política fez com que o deputado federal Virgílio Guimarães dedicasse a ela uma carta aberta, divulgada em vários sites na internet. No documento, o deputado afirma que houve debates antes da escolha de Dilma e que não houve intimidação ou impedimento contra outros nomes.

"Fiz parte de um grupo que, desde antes do posicionamento do companheiro Lula, já preconizava o nome da Dilma para assumir a tarefa da candidatura à Presidência", contou o político. Virgílio enfatiza na carta que teria acompanhado a trajetória da ministra em Minas "na luta pela libertação do povo, até sua prisão, seu exílio e seu retorno".

Mas, Starling questiona:"Eu não me lembro dela aqui em Minas. Só a conheci em 2003, em Brasília". A cientista política critica o convite que o PT está fazendo aos militantes para participar da homologação da candidatura de Dilma, no dia 18 de fevereiro, em Brasília. "Homologação como, se ela não passou por nenhuma instância partidária?".

A posição rebelde de Starling já foi a mesma adotada por Virgílio. Em 2005, o deputado lançou candidatura avulsa à presidência da Câmara, contrariando o partido, que decidiu pelo nome de Luis Eduardo Greenhalg (PT-SP). O racha no PT rendeu a eleição de Severino Cavalcanti(PP-PE). Virgílio Guimarães foi punido com a suspensão dos seus direitos partidários por um ano. Na época, ele fez críticas bem parecidas com o atual discurso de Starling: "O pensamento foi abolido no PT. O PT tem que substituir a força pelo diálogo. O governo deve negociar com os aliados e com a militância."

 

Carta aberta de Virgílio Guimarães à companheira Sandra Starling

Cara companheira Sandra Starling,


Ao ler suas declarações dizendo que não participará da campanha da Dilma porque, em sua opinião, ela foi indicada por Lula “como se ele fosse um imperador”, não sendo ela “de ninguém, a não ser do presidente Lula”, me dei conta, com pesar, de como as distâncias e circunstâncias acabam por nos alhear, muito mais do que o permitido pela amizade, companheirismo e, sobretudo, por sua reconhecida e admirada capacidade política. Nenhuma ocupação, por maior que seja, pode nos fazer descuidar da demanda por sua ajuda e participação. Falo isso com um certo sentimento de culpa diante da clara desinformação da companheira acerca da construção coletiva da candidatura à Presidência da República da nossa conterrânea e companheira Dilma Rousseff. Só os nossos adversários atribuem ao companheiro Lula uma imposição de candidatura ao partido, algo que ele não teria condições de fazê-lo, como a companheira bem sabe, no ambiente petista. Fiz parte de um grupo que desde antes do posicionamento do companheiro Lula, já preconizava o nome da Dilma para assumir a tarefa da candidatura à Presidência.

Sei que eu fazia parte de um setor reduzido, muito centrado em Minas Gerais, que já acompanhava a trajetória de nossa pré-candidata desde suas lutas em Minas, sobretudo na faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, onde lá estavam os companheiros Fernando Pimentel e Aluísio Marques, a quem devo grande parte de minha porção política. Acompanhamos, todos nós - creio que a companheira também, mesmo que indiretamente – toda a trajetória da companheira Dilma em sua luta pela libertação do povo, até sua prisão, seu exílio e seu retorno. Posteriormente, o país inteiro testemunhou a trajetória inteiramente vitoriosa da companheira Dilma no governo Lula.

O companheiro Lula cumpriu seu dever ao lançar – isso mesmo, lançar, não impor- o nome ao coletivo partidário. Não tínhamos um nome natural nem um nome já construído na opinião pública, tínhamos que fazê-lo nós mesmos enquanto havia tempo. Lula propôs o nome com grande antecedência, através de discussões gerais em todas as instâncias partidárias e em todas as regiões do país. O resultado foi uma aceitação tranqüila junto à militância e à opinião pública. Não foi em decorrência de qualquer impedimento ou intimidação que outros nomes não se apresentaram como pré-candidatos, até porque são inúmeros os petistas que, tal como você, companheira Sandra, “não fazem parte desse PT submisso ao lulismo”. Outros nomes não surgiram simplesmente porque a nossa companheira Dilma emergiu e se firmou, para desgosto e frustração de nossos adversários, como o melhor nome, indiscutivelmente, para o PT e para o conjunto das forças progressistas que irão disputar e vencer as eleições, garantindo o avanço do mais fantástico processo de transformação popular já vivido por nossa geração.

O PED (Processo de Eleição Direta) do PT nos absorveu quase um ano de intensos e generalizados debates, culminando com a participação ativa de mais de meio milhão de petistas no país (50 mil só aqui em MG). Em nenhuma plenária, reunião ou debate que participei, ouvi militantes que discordassem do fato de ter sido, a candidatura da companheira Dilma, pautada pela ampla discussão, aprovada e aclamada.

Não há mais, companheira Sandra, nenhuma brecha para qualquer dúvida, seja ela por que motivo for, seja até por falta de alternativa melhor qualifica, se preferir, mas o fato é que a Dilma representa, legítima e democraticamente, a bandeira de lutas de todos, novos ou antigos, fundadores ou não, filiados ou simpatizantes. Ela representa rigorosamente todos os petistas coerentes com o partido e informados dos fatos como realmente são.

Aproveito para convidar a companheira para nossos encontros onde, fraternalmente, conversaremos sobre esses e outros temas de nossa luta comum para juntos reiterarmos nossos melhores esforços por uma nova sociedade no rumo da libertação social, econômica e política da humanidade. Que em 2010 possamos eleger a companheira Dilma e dar continuidade às políticas do presidente Lula.

Um carinhoso abraço

Virgílio Guimarães

PT Saudações.

Belo Horizonte, 06 de janeiro de 2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário